quarta-feira, 12 de julho de 2017

JOÃO DONATO







DO ESPERAR


Música: João Donato
Letra:   Numa Ciro

Para Ivone Belem

Gravada no Estúdio Sinty Love
de Donatinho que toca com Lan Lanh 
produtora do Disco. 


Passo a passo eu vou
Esperar quem vem
Quem me disse eu vou 
Ao baile com meu bem


Esperando ando
Sustenido eu vou
Improviso um bemol
A esperar meu amor


GENE KELLY
Cantando na chuva


Esperar quem vem 
Será que vai demorar?
Luz e sombras no mundo
Coisas do esperar


No esperar tem som
A pausa é musical
Mudo o compasso improviso
Jazz no carnaval





O Baile está divertido
Já ensaio uns passinhos
Estou Muito à Vontade
A esperar meu benzinho


O Baile está divertido
Já ensaio uns passinhos
Estou Muito à Vontade
A esperar meu benzinho




Esperando eu sonho
É bom imaginar
Ter meu bem nos meus braços
E juntinhos dançar

Um bolero não dá
Pra dançar sem você
Tango então nem pensar
Só se for pas-de-deux


Esperando o meu par
Pra dançar Pas-de-deux
Já dancei mui solito
Rock and Roll iê iê iê


Pra dançar à vontade
Bem de bem de pertinho
Pra pedir com os olhos
Nem que seja um beijinho

Foxtrot y Mambo
Rumba Samba e Baião
El Son Salsa Calipso
Chá Chá Chá no salão





O Baile está divertido
Já ensaio uns passinhos
Estou Muito à Vontade
A esperar meu benzinho


O Baile está divertido
Já ensaio uns passinhos
Estou Muito à Vontade
A esperar meu benzinho

O baile está divertido 
O baile está divertido 
O baile está divertido 
O baile está divertido 

Tranquilidade

Tango
Mariano Otero
Pintor argentino contemporâneo

ZÉ MIGUEL WISNIK





Rua da Saudade



Letra de Numa Ciro
Música de   Zé Miguel Wisnik 
             




Recife, PE


Saudade é o nome da rua
Onde eu te vejo passar
Enganada pelo fado...
Um dia ali fui morar.








Venero deusas vadias
Sem ti enlouquecerão
Saudade mata! 
Meus dias...
Quero viver de paixão
Saudade fez moradia 
Aos pés
Ao rés do meu chão.

Lisboa
Rua onde morou o poeta ARY SANTOS
no número 23




Saudade é o nome da rua
Onde eu te vejo passar
Enganada pelo fado
Um dia ali fui morar




Eu trago deuses em guerra
Sem ti, não quero sentir


Saudade mata! 
Quem dera...
Saber que estás quase a vir
Saudade fez da quimera
Uma razão de existir



O FADO
José Malhoa

Saudade é o nome da rua
Onde eu te vejo passar
Enganada pelo fado
Um dia ali fui morar...



Museu Nacional de Belas Arte
Foto de Cláudia Ferreira
Figurino: Acrílica sobre pele por Hildebrando de Castro



Canto falado

Se o fado matasse a saudade
Da rua onde eu nasci
Correria sem demora 
Aos fados onde eu te quis




Canção gravada no estúdio de Ricardo Calafate
Piano Zé Miguel Wisnik
Bandolim Armandinho
Vozes Numa Ciro e Jussara Silveira

Parceria com GABI BUARQUE



NUMAS QUEBRADAS


Letra de Numa Ciro
Música de Gabi Buarque




A Prova

Se um homem atravessasse o paraíso
em um sonho
e lhe dessem uma flor como prova que havia estado ali,
e se ao despertar encontrasse essa flor em sua mão...
então o quê ?

S. T. Coleridge



 
Numas Quebradas encontrei você
Era sol
Era mar
Maculelê

Numas Quebradas você me 
Era sol
Era mar
Maracatu

Que maravilha essa vida amorosa
Brincante encantada nas dobras do ser
Quem faz da vida essa coisa engraçada
Sambando nos cacos sabe o que é viver

Lá nas Quebradas o funk ensinou
Vai no passo
Cima abaixo
Brincar de amor

Lá nas Quebradas o Rap mandou
Era a Cor
Era o amor
Rimando a Dor

Foi nas Quebradas que o sonho acabou
Lá nas Quebradas Zumbi acordou
Contou o sonho que teve acordado
E ninguém foi o mesmo
Depois que escutou

Lá nas Quebradas você me despiu
De cima a baixo o meu corpo era um rio
Não tinha mar que tivesse o tamanho
Do amor que o seu corpo o meu corpo invadiu

Numas quebradas você se encantou
Era sonho!
Onde eu vou?
Com essa flor...

Lá nas Quebradas eu penso em você

Vem me ver 
Quem sonhou?
Pra que sofrer?

Vem me ter
Quem és tu
Pra me perder?

Vem me ouvir
Quem sou eu
Pra te esquecer? 

terça-feira, 11 de julho de 2017

PARCERIA COM TIBOR FITTEL



TIBOR FITTEL




XOTE À PRIMEIRA VISTA

Letra de Numa Ciro
Música deTibor Fittel



Samico

Quem me chamou de meu amor
Não disse nada 
Só olhou 
Eu entendi
Correspondi imediatamente
Aquele olhar de sol nascente irradiou e eu ouvi

Man Ray


Ouvi chamar:
Vem meu amor!
Não disse nada e começamos a dançar
Rodopiamos infinitas vezes
A sanfona não conteve o toque de acompanhar





O Xote vai dizer 
O que eu não disse nem a mim
Nem a você
No Xote a gente conversa à vontade
Faz amor 
Mata a saudade da saudade que vai ter



Ulysses Sanchez

O Xote vai dizer 
O que eu não disse nem a mim
Nem a você
No Xote a gente conversa à vontade
Faz amor 
Mata a saudade da saudade que vai ter


Gravada no Estúdio PlayGround. 
Sanfona Tibor Fittel
Percussão Lan Lanh 
Voz Numa Ciro

quinta-feira, 6 de julho de 2017

UM poema para HERMETO PASCOAL

Hermeto Pascoal
com o Berrante a me acompanhar
enquanto eu cantava a nossa parceria
 no
 
Teatro Rival





Poema de Numa Ciro


HOMEM SOM 

I
Quando o vento sopra na floresta,
a chuva chove no telhado
e alguém nos chama do portão...
É hora de afinar o nosso ouvido
e adivinhar quem está voltando
com notícias do Sertão.

II
Quando um passarinho canta livre,
a chuva chove na roseira
e o trem apita na estação...
É tempo de entrar no tom preciso
e adivinhar quem está tocando
as notas da intuição.

III
Ouço um sussurro na lembrança.
A saudade canta e dança
nos salões do coração.
Lembrei agora do pandeiro alagoano
e a sanfoninha conversando:
Era eu e meu irmão.
Até escuto o som correndo pela veia.
Olha o dragão na lua cheia:
Está dançando o meu baião.

IV
Toco atrás da onça e do perigo.
O som vem lá do meu umbigo.
Eu toco a linha do Equador.
Toco toco toco toco tudo,
toco cego, toco surdo,
toco tudo por amor.
  
V
Toco a luz da noite,
a luz do dia,
a luz que brilha na bacia,
nos olhinhos de uma rã.
Toco para o povo.
Eu improviso!
Sei tocar a esperança
ontem, hoje e amanhã.

VI
Eu não dependo de instrumentos pra compor.
Do fim do mundo ao começo,
não esqueço meu pai quando percebeu:
Eu era o filho do som.
Eu sou!

VI
Ponho a orelha no buraco do tatu:
Escuto a terra cantando.
Esfrego as folhas no ritmo do vegetal.


Eu tenho um avô mineral

VII

Quando nasci vi a luz musical.
Ainda vibra o primeiro sopro
e aquele impacto se prolongou
de tanto ouvir meu avô.

VIII
Ferreiro ele era,
batia nos ferros.
As sobras, me dava.
Só toco quando eu quero.
Com as sobras eu fui o primeiro instrumentador:
de um férreo varal, tocador.
Mamãe descobriu
- Divina era ela -
O Bruxo do som
ninava até as feras.
Nas sombras tocava
um pífano que eu mesmo fiz,
pr’as aves cantoras do céu.
Os sapinhos lá no brejo  
ganhavam de mim
no melhor desafio.

IX
Lá na montanha o silêncio universal
encanta o tempo
e o próprio vento espanta o medo do vendaval.
A música é doida por mim.
É sim!


X
Ouça o silêncio do som
Escute a voz musical
Siga a intuição
Criar é dom pessoal

XI
O nome Hermeto
Pascoal o compositor
Sou autodidata
O Mundo é meu professor


XII
Um copo d’água, um motor, uma lajota,
uma porta, não importa
tudo toca para mim.
Os animais de pena, pêlo, lã, escama,
avoando ou rastejando:
Todos querem me ouvir.


XIII
Alguém falando para mim está cantando:
Velho, moço e criança, qualquer homem ou mulher.
Quando eu escuto, o surdo esquece que é mudo:
De repente canta tudo.
E só não toca quem não quer.

XX
Quando eu nasci chorei aflito:
Eu tinha pressa pra tocar.
Com o meu cérebro magnético:
Hermetoado a musicar.

 O HOMEM SOM 
O HOMEM SOM
O HOMEM SOM
 O HOMEM SOM 
O HOMEM SOM













quinta-feira, 15 de junho de 2017

UM TANGO INESPERADO







UM TANGO INESPERADO 







Versão de Numa Ciro para Tango nel fango
(texto original de Aldo Stellita - música: Carlo Marrale)
Disco Tango - Matia Bazar






Dançaram juntos um tango em Madri
Única vez dançaram
E jamais
Um tango inesperado
Aconteceu

Olhos nos olhos
O corpo era o céu
O tempo exato o espaço entre eles dois
Em passos lentos maliciosos
Dançavam sem destino
Apenas um
Tango
Um tango ao anoitecer
Tango
Um tango de enlouquecer
Tango




Dançaram juntos um tango em Paris
Mais uma vez dançaram 
E jamais
Um tango inevitável 
À meia luz

Lábios entre os lábios
Sorriam sem pudor
Os bailarinos dançavam uma vez mais
Com passos leves flutuantes
Dançavam sem destino
Apenas um

Tango
Um tango ao anoitecer
Tango
Um tango de enlouquecer
Tango






Toca saudade
Um tango para dois
E os bailarinos sozinhos dançarão
Um tango imaginado
Em seu prazer





Amantes distantes tomados de furor
Alegremente zombavam do amor
Silenciosos  
Ofegantes
Dançavam sem destino
Apenas um 

Tango
Um tango de enlouquecer
Tango
Furioso de tanto querer
Tarde
Demais para esquecer




terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

PARCERIAS COM LANLAN


Lanlan



ARTE-MULHER


Gustave Courbet
L'Origine du monde
1866



A ARTE É MULHER


Letra Numa Ciro
Música Lanlan



Eu conheço a origem da origem,
Antes mesmo de ser originada.
Inventei a existência antes do nada,
Quando o Ser era o Tempo em Vertigem.
Inventei a casa e a viagem.
No advento de Galáxia, fui parteira.
Eu cuidava do berçário das estrelas
E ninava cada uma nos meus braços.
Assoprava a poeirado espaço
E elas riam com a minha brincadeira.


Vi a Terra engravidar do universo
Pelo sopro da natureza. E a criação
Era simples rotina e diversão.
Não havia discordância no inverso:
Se da luz fizeram-se os versos,
Das sombras da noite, a ficção.
A verdade foi a joia da invenção.
A diferença, melhor aproveitada.
Era o Caos, folia organizada,
O princípio da humana inspiração.

  
A mulher apareceu inesperada,
Quando eu era o protótipo de um Drone.
Na filmagem, escutamos o seu nome:
A primeira palavra inventada.
A Mulher, por si mesma, foi criada.
O pensamento saiu da sua boca:
Antes disso a linguagem era oca.
Ao sentimento, ela deu um coração.
Inventora do Amor e da razão,
A Arte é Mulher.


Harmonia Rosales 





 PSICODÉLICA

Música  Lanlan
       Letra      Numa ciro



Posso viajar o ano inteiro
Sem jamais voltar ao mesmo endereço 
E mais
Dou a volta ao mundo em um segundo
Volto atrás e encontro o velho futuro




Sou assim
E quem me vê assim
Diadorim 
Ontem mesmo a figura estranhou

Eu vou sair
Alguém vem junto?
Eu
Eu vivo assim
Mudo com o tempo  
Tenho a sorte a meu favor




















Não sou pessimista
Meu Jaguar veloz na pista
Ligado em Rock and Roll
Dizem que sou rica
Mas não tenho ainda um disco voador                                                 



Sou assim
E quem me vê assim
Tão free again
Ontem mesmo a figura se mandou
Não dormi 


Agora já... ... ... 
...esqueci.


São Dumont!


Já de malas prontas 
e o check in… 









Dizem que sou rica
Pego a dica e vou bancar meu carnaval
Sou pós-modernista
Faço antropofagia sideral



No terraço em minha cobertura
Posso dar o pouso à nave futura



Um ET sentado em meu carrão 
Banco a carona e a tradução



Meu pão

Vem me contar a sua história
Bagunçar minha memória e meu cartão

Vem me dizer se onde mora
Tem registro de humanóide imigração

Vamos dar um giro na galáxia
Até que a morte não desligue o coração