TOTEMICA
Totemica
estava parada no meio de um pensamento absolutamente estarrecedor
Não fora
uma ventania mnemônica sacudindo seus segredos ela não se daria um minuto de trégua
Trabalharia
naquela orgia ideal até esgotar a última centelha dos ânimos
sonhos invertidos insensatos
leves aromas idiomáticos
arrebatadores lábios nos espelhos
nenúfares
luminares
quadrúpede
alazão
pégaso
do sertão
asas da sonhação
alarme
ainda ela pensava
Totemica ali parada no meio do redemoinho d’aquilo que circunscrevia ventanias de
pensamentos
Totemica
sorria sozinha
para fora e para dentro como se conversasse consigo mesmo que fosse só o atrito do pensamento no pensamento pensamento contra pensamento pensamento sobre pensamento pensamento querendo pensar menos pensamentos voam pensamentos
aviões
andorinhas
gaviões
dumbos
gafanhotos
as
alegres comadres de wind surf
aparelhagens
confusas das risadas domésticas
específicas
descobertas
extremas
nervuras das américas lineares
pisadas
convalescentes do ódio!
quantas
reticências...
quantas
anedotas...
quantas
esperanças ...
etc...
terás... pensou
Totemica
pensou pensou pensou
alguém
já se
imaginou assim com tantos
pensamentos?
A campainha toca.
Totemica vira outra atravessa os pensamentos quase num esforço milagroso um Moisés abrindo o mar e não atraveeeeeeeesssssá-lo? anda pela sala procurando a porta e o juízo e pensando
será a vizinha que vem pedir emprestado um pouquinho de sal? já são quase as horas certas para alguma coisa e se for a vizinha da vizinha? aquela que só gostava de lavar os cabelos com sabão de coco ela saía sempre às 16 horas saia justa blusas frouxas tamancos altos pretos ou vermelhos brincos de argolas ciganas desvendadas dadaísmos urbanos indecentes dadivosos duvidosos indefesos invisíveis palpáveis
A campainha insiste
Totemica toma um gole de susto e volta
procura a chave da porta da outra outra porta e gira sem esquecer do momento que procurava este apartamento como imaginava diferente disto que acabou querendo e pensando era este mesmo já constava no mapa dos seus pensamentos o endereço do esquecimento
Totemica abre finalmente a porta e se depara com um pensamento em pessoa não sabia definir se era um homem ou uma mulher
uma pessoa inédita e autoritária pela presença real e tão nítida inacessível porte amarás à próxima depois de ti tão próxima de teu próximo e bem distante de ti mesma e o que mais? e o que quer esta pessoa em pensamentos palavras gestos um mero objeto de contemplação?
A campainha toca mais uma vez
Totemica Totemica cadê a expressão o gosto pelo outro lado do tempo o outro tempo do mundo habitual das coisas cotidianas e reais como um simples atendimento a uma porta o simples dizer boa tarde o que você seja quem for o que quer de mim? o que veio fazer aqui? o que é bater na porta o que significa abrir a porta o que é que eu quero dizer ao abrir a porta como o mundo começou por que eu estou aqui qual o peso da minha corporeidade na convicção de que existo sem querer dizer filosoficamente falando quer dizer não existo não penso não sou mas quando tenho fome eu sei uma coisa que só eu sei e sei que todo mundo sabe porque quando vou matar minha fome todo mundo quer matar a sua fome também e cada um se arma se ama senhalma ah aha ahaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhh se tudo coubesse dentro e se o que ficasse de fora fosse o seu lugar seu lar seu apego ao tempo relento
PENSO
em como tudo foi acontecendo aos poucos e tu? nem vias meus olhos náufragos querida não me olhes assim nem me ocorre como poderias perdi o controle a bolsa qualquer possibilidade perdi o ninho o leite a vergonha as cores das faces corri desenhando riscos venceram forças ocultas tantas bobagens alicerçadas... sombrios os dias apaziguadas as horas em nenhum momento vinhas tantos mares desperdiçados e nenhum olhar à vista o pensamento finalmente dorme e se espreguiça entre estáticos pontos de esquecimentos
no fundo opaco enganador teu vulto escandido e navo resplandecente como um grito no escuro uma carícia não identificada só o rastro bandido das coisas perdidas furtiva amada menino astuto vestal criança olhar de espanto complacências quadros se superpõem aos livros e estes aos discos frases inteiras com a estética do latim
A campainha parou de tocar
se foi um deslocamento do tempo em relação a um certo suceder ou melhor em relação a um certo acontecimento sonoro que provocaria um outro acontecimento realizado por quem escutasse este som neste caso a campainha que tocava isto sugeria que alguém falava para uma determinada pessoa uma porção de coisas como
abra a porta abra a porta por favor quero falar com você e se não for você a pessoa com quem eu quero falar eu termino por querer que você me atenda e me informe onde posso encontrar a pessoa com quem quero falar mas
eu já estarei falando com você a pessoa que ouviu a campainha e que é obrigada a responder a este sinal que exige do escutante uma resposta que é exatamente uma prova de adaptação a um dos códigos de comunicação para que possa haver um mínimo de interseção entre um elemento e outro do conjunto daqueles que falam para que me dá até preguiça pensar no que teria que pensar sobre a tarefa exaustiva dos falantes de ter que decifrar a cada momento os códigos da convivência os sinais da existência os abusos da sobrevivência e isto pode significar a loucura!
o que é a loucura?
é daí também que se escava a matéria prima do sentido até a significação mortal e ao mesmo tempo toda a possibilidade de vida que em si mesma não significa nada que quer dizer significa nada nada não significa nem sequer nada
daqui umas flores quaisquerrrrrrrrrrrrr bombons naturalmente
sofro e não de onde o nascente querer naturalmente
como como tenho
pensado nisto constantemente e não
encontro vestígios de tão árdua execução do intelecto
então!!!
vejo crescerem os motivos de arrependimento sempre que penso nos atos desperdiçados nas enganosas indicações de que mesmo? de quando em quando e basta pare de rir de rir de rir de rir pare de mim de mim de mim
paro de viver paro de morrer
“Para o mundo que eu quero descer” já li e ouvi esta frase em algum lugar para o mundo que eu quero subir diria eu se eu encontrasse o ponto de parada do mundo mas o mundo não é um ônibus é um navio e eu não sei nadar fui criada dos riscos atravessando as ilusões mais sutis pensava que entendia a vida como aquela árvore que cresce sem falar olho pela janela a noite continua a mesma não a noite eu continuo a mesma não ouso tocar nesta serenidade ignoro esse barulho ah! O que é que não foi? isto importa mesmo assim continua sendo irrelevante ah! é tão carinhoso ser apanhada de surpresa pela vida
(...) de repente riscos de felicidade e eu me pergunto
??????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????
e não me
respondo
- - - -
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- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
ontem fiquei horas a perguntar de uma extremidade há outra procurei exaustivamente por uma síntese um sossego uma centra----------------------------------------------------------L------------------------------idade porém uma obstinação pelos cantos pelas linhas divisórias arrepiantes dos desenhos que fazem silhuetas em noites mal iluminadas despertam muito mais curiosidades Pé ante pé diante de mim às vezes me assusto às vezes me cariciam algumas vezes penso que sou como a maioria das gentes que traduzo com a máxima fidedignidade o sofrimento alheio somente para esquecer a enorme decepção de ter apenas uma dor singular tantas vezes sem eco sem solidariedade uma dor abafada que se omite que se evita com a qual nada se faz a não ser deixar
quantas vezes ficarei assim?
conto os
minutos como se o tempo que preciso pudesse caber em qualquer relógio
Faz um século
Faz um segundo
Faz qualquer coisa pra ficar assim
Faz muito frio aqui
foram as
últimas frases que ouvi de seus lábios
faz muito tempo ainda não pensava em suicídio nem gostava de chicletes parece que foi ontem foram as únicas frases com as quais usei meu pensamento enquanto seus lábios pronunciavam as últimas frases ainda lembro aquele olhar
além fixo
aquém imóvel
não me sai da cabeça aquela imagem meus olhos nem mais descansam mal distinguem longe-perto mal durmo
as
lágrimas escorrem
estações emocionais exercendo expressividades visões de espaços interiores onde pululam incessantemente as mais variadas formas de vidas inventadas vertigens parâmetros passionais e ninguém ninguém mesmo inventou coisa alguma depois que se inventou a roda só o mundo dando as sua voltas
136 RODOVIÁRIA / COPACABANA:
meu sono não cabe na minha cama meu tempo não cabe no relógio daí... espalho-me sonho acordo no meio da noite
ONDE - FICA - O - MEIO - DA - NOITE?
quero
ver sua boca articulando cada sílaba desse diálogo imaginário como se eu fosse
uma simples beata sentado no banco de uma capela e você no púlpito eu sou
nós entende? eu sou
voz entende?
- EreeeeeeeeeeeeeeeeeeJe!
a noite
dá uma risada triste tão grande
por que?
por que
penso tanto?
até de madrugada aquela voz é o mesmo disco sem fim minha cabeça gira tudo esse olhar fixo por um fio atravessa paredes um bicho feroz atravessa na direção desse olhar
Rompem vesúveis sinais visíveis intensamente iráveis noites intactas em claro não posso esconder isso desejo de mim fecho gavetas apago impressões negócios conselhos de esquecer dou gargalhadas ao vento
tento
na direção desse olhar tem um bicho feroz
acordei e era belo aquele gosto estranho na boca enquanto o sol batia despudoramente nas vidraças
espreguiçava olhava
as
festas das frestas
sorria sorria arrebatadores risos sacudindo os ombros tudo era apenas formas de passar à margem do óbvio
olhei de
lado
completamente
cinza o traço
flores arcos dobras cacos revistas
havia um
prazer convulso por ter acordado
sempre
me surpreende estar
olho ao
longe sem olhar
até
desenrolar todos os sentidos
até onde
podem ir os pensamentos?
as tardes caem? as noites descem?
EeeeeNnnnnooooOOOOOOOORrrrrMmmmmeeee a boca
abertas mãos à obra ao alto
abro as pernas
UM TREM PASSA RÁPIDO
Puxo as
cobertas que sono pesado meu deus se alguém fechasse as cortinas (...) esse
gosto estranho na boca que música é essa?
- Ô de dentro?
-
Ô de fora?
Há?
Há!
acordei com um belo de um gosto estranho na boca impaciente com tudo irrita-me sobretudo passar pasta na escova de dentes este frio que não passa basta! besta! estou uma pilha merde! ainda bem que encontrei este cigarro que me resta senão abrir janelas à arquitetura dos planetas à mixagem dos sons urbanos como se fossem carícias próximas dos pensamentos razões silenciosas
auto-crítica-do-amor-puro
sujai a lógica
ética
exuberante
CAVALO CAVALO CAVALO
artigos avulso vespertinas notas de cristal
zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuummmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiidddddddodddddddddddddddddddddddddddddddddooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooosssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssss
Idos zuns bis uns is zabumbas e
olhos
giram sugando estrelas solitárias
voltas
em vãos
Não não temas tens que tens que...
perdida
voz no peito
Aqui dentro habitas somente
aqui dentro lá fora FALTAS
És toda minha aqui dentro
lá fora SILENCIAS
passei esta noite tudo em claro doía muito
a cada sonho em que passavas
beijavas
beijavas beijavas
Ninguém me disse Vá embora
Não
chegou em casa nenhuma notícia extra vagante
Mas
fiquei problemática
o dia passou com uma cara de ausência
você saiu pelos corredores e eu
eu me
salvei na ilha dos pensamentos
bati em
portas que seriam herméticas se já não estivessem tão forçadas
sublinhando aquela criatura sem destino
com tudo que se movimenta lá fora
e se? e se? e se...
para de pensar para de pensar
há séculos comecei a criar este país de ilusões
lembro-me
bem quando foram inauguradas as primeiras fábricas de carícias
ah! como
você sorria ali sozinha naquela poltrona perto do rádio
você
viajava sem memória
só
através das imagens instantâneas
eu
percebia de longe
não
conseguia parar de olhar
ficava
acompanhando a linearidade da sua postura
o que?
a
linearidade da sua postura
às vezes os dedos brincavam nos braços da poltrona
eu fixava tais inexpressíveis movimentos como se traçassem bailarinos no palco
o que?
como se
traçassem bailarinos no palco
por essas coisas pensei
teríamos
sido feitas uma para a outra
uma para
a outra
somente
eu conhecia a singularidade de tantas coisas sem importância
nem uma
vez me impacientei com seu olhar de vidro
às vezes
sorríamos
dávamos
rascantes gargalhadas
nesses instantes nossa existência ganhava sentidos extras... ordinários ... basta?
as horas passavam não o tempo
quem haveria de entender a lógica das datas que regulam a chegada de cartas contas folhetos convites etc. etc. etc.
Perguntávamos
ao mesmo tempo : Você passa?
numa
dessas ocasiões compreendi
tínhamos
feito um pacto mudo e cruel
ignorávamos
a noção do tempo
ocupávamos
o espaço da inexistência
vivíamos
tão quase imobilizadas que reparávamos nas menores mudanças
assim
abandonamos
as lembranças
esquecemos inteiramente de como éramos
na
adolescência na infância antes de nascer
era como
se fôssemos sempre assim
no exato
momento em que vivíamos
não
sonhávamos com o futuro
caímos
numa inexorável existência presente
num desuso sem precedentes
Não se objetiva assim uma tão grande dor
Deixa-me seduzir
Fora com esta crença
TUDO FORA EM VÃO
à duas
caminhávamos
sem sair do lugar
isto se
tornara apaixonante
convivíamos
satiricamente com esta desesperança
simplesmente
não esperávamos
um
dia
noites
longínqua repetição anacrônica
delicada
seria
se não
fosse tão pesada
parecia
que a dor do mundo se despojava aos nossos pés
e nós?
adeus pertence o presente esquecera seus pertences no futuro momento em que se desesperara e sem encontrar solução nos
Sempre tentei evitar esse assunto
É tão
fascinante este silêncio
É só ouvir Mais nada
razões silenciosas caem como gotas de mel
mas o coração duvida
procura-se no fundo do poço apenas o fundo do posso o fundo do posso não tem fundos eis o balanço do vazio infra-mundo
Quem me dera ceder a essas carícias enigmáticas...
Imigrações de insetos na mira do horizonte
meticulosos
guardada aqui na boca
Saem pelos meus olhos todos os objetos que por ali passaram mesas de pernas pro ar cadeiras postas de lado lençóis molhados algodão sujo de mercúrio cabides cromos soutiens a Baía de Guanabara
o muuuuuuunnnnnnnnnnnndo!
depois nem sei
Imagino morrer só para ver as pessoas que amo sofrerem mas só um pouquinho
queria
vê-las reunidas à minha volta com o último dos respeitos
ou das
temeridades
estariam
enfim diante do meu total silêncio
seus olhares sem retorno às avessas como um tiro pela culatra nunca tinha pensado antes que eu guardasse tanto ódio assim
quase gozo quando imagino que não seria o meu silêncio que as incomodaria mas o silêncio delas em mim fiquei horas assim feito uma parede sem ressonâncias um objeto inerte de olhar atônito infinitamente pra-dentro pró-fundo pré-abismo pras-coisas-desconhecidas-de-tudo
Esse tipo de expressividade às vezes me assusta pensou alto
que não passe pela contramão
depois
coitada tão boba esse ódio parece mais uma disfarçada idiotia...
depois do lamento e da trágica retirada para a cova vem logo depois
Assim
no pensamento deles
como
interromper um trabalho de luto?
elas já teriam passado pelo pior ou pelo melhor e eu já teria vagado pelas rotas imaginárias à deriva extraviadas voltas à beira do abismo presente em todos os lugares e ao mesmo tempo num oceano de realidades impossíveis de se ignorar
e a razão? podia tudo podia nada
e eu? sabia tudo sabia nada
expulso ideias de perfeição elevo as fantasias ao nível da curiosidade sem retorno sem satisfação como se ignorasse o lugar
como
chegar?
para que
este enrodilhamento?
Eu só
quero gozar em paz
Não
quero um lugar na frase
Já se passaram 11 horas
E aquele
telefonema?
ultrapasso
dias velozes
quando
observo os séculos pelo ponteiro do relógio os segundos parecem cruéis
um dia
só pensei na morte
Aquele
era um dia interminável
Olhando
as flores percebi que as pétalas exibem horizontes perfumados
Longínquo
o horizonte dos beijos lá no fim da rua
quando
chego cansada a pé sem fôlego lívida de calor
a te
querer tanto quanto a um banho
Assim
atingi
os indícios mais simples deste caleidoscópio fantasmático e espectral dos meus
órgãos
Muitas
vezes perco os contornos e não crio novas emoções
Fico
Inerte e
procuro silenciosamente o fio de tantas lutas interiores esquecidas
e por
causa disto
do
esquecimento
meu
corpo se fixa na frente do telefone como se quisesse ver o toque
Imagino
então aqueles dedos
Escrevem? Abrem torneiras? Tateiam zíperes? Tamborilam? Apontam? Tocam
campainhas teclas itens? Deslizam?
Será que
aqueles dedos murmuram?
9
Antes eu me imaginava toda natureza
Mas
depois daquela conversa fui ficando muito próxima de tudo
Cada vez
mais solitária nesta aproximação
e no
entanto mais ávida
faminta preguiçosa
cheia de palavras
arrodeada
de letrinhas
Olhando
acontecimentos numa atitude de complacência
de
coragem
E nunca
e nunca e nunca satisfeita ou conformada
São 11 e
meia
Mesmo
dia?
E aquele
telefonema?
Eu me
exponho às expectativas
Nunca
sei se devo esperar ou me deixar surpreender
Porém como esquecer tal promessa?
Ouvir
aquela voz de um lugar qualquer
Apenas
aquele som
vindo de
um lugar de seu corpo
que
reconheço em fartas sensações às vezes quentes
às vezes
estranhas
em
certos lugares do meu corpo
preciso
disto
não sei
se é vício
coisas
paixões
desordenadas
Porque
me disse que telefonaria às 11 em ponto
pronto!
Eu
espero desde desde desde
Porque
falou que levaria todos os sentimentos às alturas da razão
Por
tantas vezes fingir que sabia as origens de todos os males
e os
motivos de todos os bens
Por tudo
quanto fez brilhar os olhos calar os
lábios fustigar os sonhos
Oh! Não
Finjo
que tenho esperanças
Para
onde depois eu vou?
Que
apreciação essa de tomá-la nos braços
personagem
dos meus diálogos interiores?
Ainda
bem ainda mal?
Tudo
gira sem um querer reconhecível e controlável
Elipse falso
oculto anormal
sem
encontrar um antípoda qualquer nalgum ponto esquecido inencontornável
Não é
fácil chegar a nenhum lugar
Urge Urra
Arre
A RAZÃO
FERE O CORAÇÃO?
Hem?????????
Nem
sempre nãos serão
Nãos
Fugir Fugir
Fugir
Cair no
abismo louco de cair
Cair Cair
Cair
Até onde
não houver mais questões
Essa
marca
Essa dor
que não passa
VACA!
Herança
de uma fera o que restou das
mordidas
de tudo
quanto deixaram as partidas os
abandonos
O dia
claro desalmado enquanto a alma esperançosa e lânguida
como só
as almas podem
esperar é próprio das almas
As
folhas brancas
as de
papel sim as de papel
Limpas prontas
Alvas
Com as
pernas abertas pra qualquer RABISCO que aparecer
Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
Beijo
qualquer imagem dos meus deuses íntimos
Íntimos
como amigos íntimos
Íntimos
Eis uma
xícara em seu pires no seu plano mira
Olhar
que pesca amenidades
E antes
eu tinha pensado que não queria amenidades
Mas não
resisti ao pires com a xícara no seu colo
A xícara
que jamais voaria
Não
porque fosse uma xícara
mas
porque só lhe deram uma asa
OH!
manhãs
Vejo os
objetos brotarem como flores
frutos
Ou como
qualquer coisa criada pela natureza
Nunca
visitei uma fábrica
A
cultura é um milagre
Meus
santos são os operários os
cientistas os arquitetos
Também
serão demônios
E a
mágoa? o tédio? a preguiça?
Desconhecimentos...
Confio
em tudo enquanto não digo nada
Desconto sofro e não sofro
Pago
para ouvir
Conheço
as lágrimas sem chorar
Voltarei
Não do
verbo voltar mas do verbo woltzar
Força
minha filha
Deixo
você e digo - Até breve Vou sem querer
IR IR IR
RIR RIR
RIR
No
avesso do prazer sem fim onde a pele fere
Onde os
sentidos pelo espírito carnal do
tempo pede
Mas só
ganha flores de acrílico
Quem
nasceu assim tão nítido?
Não há
loucura maior só as carícias
A paixão
cabe nas palmas das mãos
A paixão incarna
Perfume
abstrato internamente se alastra
OPUs OPUs
OPUs
Atrás da
orelha tem um segredo
Eu te
disse!
Dormias...
Mas
ouviste
10
Penso
NOVAMENTE em como tudo foi acontecendo aos poucos e tu?
Nem vias
meus olhos náufragos querida
Fico
louca quando me olhas assim
Sinto em
mim o quanto poderias me dar prazer
Perdi a
educação que me deram
perdi o
cartão de embarque
Perdi o
fio o medo e a coragem e minha vergonha se perdeu pelas faces
Corri
tantos riscos...
Venceram
as forças estranhas
Tantas
bobagens alicerçadas
Sombrios
os dias apaziguadoras sombras
Em
nenhum momento vinhas
Tanto
desejos jogados ali pelo chão pisados ou varridos
tão
velhos quanto os chinelos
O
pensamento finalmente dorme
e se
espreguiça entre estáticos pontos de esquecimentos
No fundo
opaco enganador
Teu
vulto escandido e resplandescente
como um
grito no escuro uma carícia não identificada
Só o
rastro
Acreditei
em tudo que me fez cair depois arrependida
Chute
nas ilusões
Quantas
coisas desconcertantes
inutilmente
trágicas
Louça
posta mesa sacra
E a rua
deserta
11
Ela está
tão próxima
eu
poderia fazê-la cair em mim com um mais ousado suspiro
com
qualquer movimento
a não
ser este que me expõe ao desejo inteiramente solitária e muda
Não há
como abraçá-la
a
impossibilidade do gesto é incomensuravelmente forte
mais
forte que as vontades
Apenas
por serem essas vontades tão fortes
Odeio
tudo que nos impede o beijo
Odeio
isto que excede o toque e me deixa assim inversamente tola
Odeio eu
Odeio
todos os meus pensamentos
Eu
queria ser filha do vazio
Eu
queria fazer calar esse pensamento de repente
Secreto
jogo de fixar morto o momento ao se perder em sorrisos ambíguos Esmagadores
gestos
Enganadores
reflexos
Inteiramente
árdua impossibilidade assim tão nua
Quisera
tanto essa quimera
Encontrá-la
ali entre os nossos seios
E a
paixão
Que nos
entregaria às inevitáveis risadas sem fôlego
Quisera
vê-la ao me ver
Quisera
vê-la a olhar-me
Sonhadora!
Estarei
sempre te imaginando assim
Ao
sorrir maliciosamente
Quem me
dera tê-la escrevê-la impetuosamente frágil
De quem
é a culpa?
Cala-me
num beijo!
A vida
acontece onde o sol é teu olhar queimando a minha vida
Desmancha
meus pensamentos com teu perfume
Quando
apareces tudo se resume à nossa volta
A
CAMPAINHA TOCA
Ou será
o telefone que toca?
Ou de
casa !
Ou de
dentro!
SOU
DE FORA
DEIXA-ME ENTRAR