quinta-feira, 23 de agosto de 2018

MÃE NEGRA MÃE




Mãe  PRETA  Mãe

Yabás

                                                            De Numa Ciro    

                   Para Mãe Beata de Iemanjá       


Rainha-Mãe-das-terras-de-Além-Mar
Sabe cantar Lunduns para o mundo se criar.
Mãe fala a língua das Deusas,
Dos Santos, das Santas, dos Orixás.
Os segredos da Natureza
São Tesouros das Yabás

Mãe Beata d’ Iemanjá
Mãe Dalzira Iyagunã
Mãe Olga de Alaketo
Mãe Menininha do Gantois
Mãe Stella de Oxóssi

As Mãe vieram de muitos nomes.
O Nome de cada Lugar      
dava Lugar aos Nome que davam os Nomes pra Elas
E nomeavam de novo       os lugares de donde elas vinham
e nas andanças dos Nomes 
o próprio Nome adivinha
o Nome que se esconde no Nome Próprio que tinha. 

Adelina, a Charuteira 
Chica da Silva 
Dandara dos Palmares 
Luiza Mahín 
Teresa de Benguela


O Nome e o Lugar
O Lugar e o Nome 
Os Nomes dos Lugares
Os Lugares dos Nomes 

Aída dos Santos
Ana Maria Gonçalves
Anna Carla Rosa
Carolina Maria de Jesus
Conceição Evaristo
Maria Firmina dos Reis

PRETA lutou
PRETA  benzeu
PRETA  encantou

Aqualtune
Maria Felipa
Marta da Silva
Preta Gil
Zacimba Gaba

Negra-Mãe-de-um-reino-que-não-tem-fim
Sabe fiar memórias para o mundo não dormir


Elisa Lucinda
Érica Peçanha
Flávia Oliveira
Miriam Juvino
Taís Araújo

Um dia,
Quando Mãe chegou,
Mãe chorava.
Ela vinha ornada
de colares e anéis,
brincos e braceletes,
turbantes e panos-da-costa.
Mãe inventa seus enfeites


Dina Di
ReFen
Pamela Castro
Pinah Ayou 
Tati Quebra Barraco

Artista de mil jeitos,
Mãe livra a cara da gente.
Quem não pede seus conselhos?

Alaíde Costa
Carmézia Emiliano
Jurema Werneck
Lúcia Xavier 
Marina Silva 


Mãe sabe o triste e o contente.
São belos seus cabelos
E bem talhados seus pentes.

Marilene Gonçalves
Nilma Lino Gomes
Plácida dos Santos
Renata Codagan
Zezé Motta


Rainha-Mãe-dos-reinos-que-inventou
Sabe fazer cafuné para o mundo adormecer.

Criola
Nega Gizza 
Nega Fulora
Nega Cristina
Nega Zéfa

Negra-Mãe-rainha-da-alegria
Inventa rodas-brincantes para o mundo se encantar.

Edite do Prato
Lia d’ Itamaracá
Raimunda da Abissínia
Selma do Coco
Zabé da Loca

Negra-Mãe-Rainha-da-canção
Aduba o terreiro do samba para o mundo se encontrar.

Preta Tia Simoa
Tia Ciata da Praça XI
Tia Maria do Jongo
Tia Perciliana de Iansã
Tia Surica  da Portela

Negra-Mãe-Rainha-Mãe-Ancestral-dos-Lares
Levanta com sono e dá a luz às cidades

Mãe  d’Água
Mãe do Céu
Mãe de Leite
Mãe de Santo
Mãe de Criação

Mães-Negras-Rainhas-guerreiras-do-luto
Choram seus filhos nas Quebradas do Brasil.
Mãe busca seus filhos perdidos...
Tem tempos que não são idos.
Os filhos que foram mortos:
Mãe quer enterrar os seus filhos.

Beatriz Nascimento
Izildinha Baptista
Lélia Gonzalez
Neuza Souza
Sueli Carneiro

Mães-Negras-Rainhas-Guerreiras-no-Desamparo
Procuram seus filhos: 
Os desparecidos.
Desarmadas e aflitas 
Oh Fúrias benévolas da justiça!
Mãe exige os seus filhos de volta.

MARIELLE FRANCO

Nas voltas que o mundo dá,
Que se quebrem, em cada volta, todos os elos das correntes.
Que algemas se partam na mente
E a gente invente um diz-paro diferente
daquilo que se atira bem no coração da gente.

Alcione 
Dona Ivone Lara
Elza Soares
Jovelina Pérola Negra
Clementina de Jesus 

Vó Pretinha       Vovó Lourdes  Vovó-Zinha
Mãe de dia        Mãe de noite    Mãe Manhãzinha
Mãe-de-Santo   Mãe-do-Corpo Mãe-da-Boa-Morte
Mãe-da-Terra    Mãe-do-Céu    Mãe-da-sorte


Carmen Luz
Márcia Eloi
Marlene Silva
Mercedes Baptista
Mestra Maria do Coco 
Rosângela Gomes 

A Mãe Preta                   A Mulher Negra 
São As "Escreviventes" de seus Destinos
   As Escrevinhadeiras da sua História

Aída dos Santos 
Benedita da Silva
Luciana Bezerra
Rosana Paulino
Ruth de Souza

A ressonância das sua vozes        compõe 
                     um novo Canto dos Lugares
e então seus Nomes ecoam 
                                 em todos os Lugares do Mundo

Carol dal Farra
Gênesis 
MC Carol
MC Stefanie
Roberta Estrela D'Alva
Thux

Canto

Aiyê Aiyê Orum
Aiyê Aiyê Orum
Aiyê Aiyê Orum
Aiyê Aiyê Orum

Nanã Iansã Obá Euá
Pomba Gira  Preta-Velha Iyá Bassê
Oxum  Oxumaré Iemanjá
Anastácia Aparecida Aluanguê

Aiyê Aiyê Orum
Oduduá
Aiyê Aiyê Orum

Aiyê Aiyê Orum
Oduduá
Aiyê Aiyê Orum




MÃE MENININHA DO GANTOIS 





MÃE STELLA DE OXÓSSI






MÃE OLGA DE ALAKETO 



AQUALTUNE




 Zacimba Gaba 
Dalton Paul | Oil and gold leaf on canvas | 61 x 45 cm | 2020 | Photo: Joerg Lohse
https://daltonpaula.com/en/portfolio/portraits/






MÃE BEATA DE YEMANJÁ





TERESA DE BENGUELA







DANDARA DE PALMARES





ELISA LUCINDA





ROBERTA ESTRELA D'ALVA





PRETA GIL





MARIELLE FRANCO






DINA  DI





MARIA FIRMINA DOS REIS






CAROLINA MARIA DE JESUS





CONCEIÇÃO EVARISTO


IZILDINHA BAPTISTA





ANA MARIA GONÇALVES






ZABÉ DA LOCA





SELMA DO CÔCO





EDITE DO PRATO





LIA DE ITAMARACÁ





TIA CIATA





TIA MARIA DO JONGO





TIA SURICA





DONA IVONE LARA






CARMÉZIA EMILIANO





LÚCIA  XAVIER





MARINA SILVA 




SUELI CARNEIRO





ZEZÉ MOTTA






JOVELINA PÉROLA NEGRA






TIA PERCILIANA
(

saruebaiana

)





Mãe Dalzira Iyagunã







MARIELNE GONÇALVES



ROSÂNGELA GOMES





CLEMENTINA DE JESUS






CRIOLA








MIRIAM JUVINO



MÁRCIA ELOI





 
ÉRICA PEÇANHA





FLÁVIA OLIVEIRA





BEATRIZ NASCIMENTO




NEUZA SANTOS





NILMA LINO GOMES





TAIS ARAÚJO





LUCIANA BEZERRA







THUX





PINAH AYOU





PLÁCIDA DOS SANTOS






MERCEDES BAPTISTA





CARMEN LUZ



MESTRA MARIA DO COCO






MARLENE SILVA



ANNA CARLA ROSA





RENATA CODAGAN







ADELINA  CHARUTEIRA





ALCIONE





GÊNESIS




CAROL DALL FARRA





NEGA GIZZA




JANAINA  OLIVEIRA Re.Fem





AÍDA DOS SANTOS 





MARTA DA SILVA





TATI QUEBRA BARRACO





JUREMA WERNECK





ALAÍDE COSTA





ROSANA PAULINO



CHICA DA SILVA
Estátua em Diamantina - MG




sábado, 16 de junho de 2018

BOLERO MÃE




MAURICE RAVEL




BOLERO DE RAVEL
Carlos Drummond de Andrade


A alma cativa e obcecada
enrola-se infinitamente numa espiral de desejo
e melancolia.
Infinita, infinitamente...
As mãos não tocam jamais o aéreo objeto,
esquiva ondulação evanescente.
Os olhos, magnetizados, escutam
E no círculo ardente nossa vida para sempre está presa,
está presa...
Os tambores abafam a morte do Imperador.






BOLERO MÃE


Letra de Numa Ciro

Para a Música de 

Maurice Ravel


Esta versão poética foi escrita pensando em

Aída 

que adorava ser minha mãe.

Ela morreu, como na ópera, 

junto com seu amor, João, 

que adorava ser meu pai.


AÍDA


Escrevi esta letra como encomenda do grande pianista Cadu Pereira. 

Para escrever, ouvi, em todo o processo, 

a gravação da Wiener Philharmoniker 

no Festival de Lucerna

conduzida pelo Maestro Gustavo Dudamel


1


 

Mãe
As estrelas são lanternas no céu
da criança e do pintor
Eu imitei o colibri
No Amor se brinca de morrer de amor
Batterfly não me enganou 


Mãe
As coisas são como elas são 
As coisas sem precisão
Sem razão 
Eu sei seu coração tem razão 
Ouviu meu coração em Ravel
As coisas se repetem sem ser iguais
Como são desiguais as estações

   

Mãe
Você sabe onde o sol se escondeu?
Eu brincava com a paixão
E esqueci de me esconder
Paixão é verso livre em seu querer
Mona Lisa disfarçou

B

Mãe
Os olhos fingem não querer
Parece simples fugir
Eu vi
O olhar que escapou
Não quis
Olhar o pôr-do-sol
Lá no cais
Através d’ O Grito que ecoou
Nossa dor
E a voz do poeta fingidor 

C

Mãe 
Não conheci a inocência
e fingia 
não saber o que diziam 
os boleros que você cantava
E eram cenas de amor 

 C

        Mãe
Não conheci a inocência 
e fingia
não ouvir os fados    
nas noites de serenata
e eu não dormia

2


A

Mãe
Parecia que o mundo era um só
Outros mundos descobri
Nas mil histórias que ouvi
Em cada noite antes de adormecer
Nega Zefa me contou

B

Mãe
No meu vestido de organdi
um sabiá disse assim
Vou fugir
Depois ele furou o organdi
Fugiu pro verso que diz adeus
Agora diz nesta versão de Ravel
Não não chores de amor eu voltarei 

A

Mãe
A estrada sabe aonde eu irei?
Eu brincava de fugir
Estradas andam sem andar
Ser-tão boleros pra lá e pra cá
Vi Cabíria e chorei

B 

Mãe

Meninas sonham namorar
O cinema nos ensinou  beijar
Dormindo com as canções de ninar
Soluçamos aflições de um lugar
Já morremos loucas de saudades de alguém
Esquecemos y volvemos a brincar

C  

Mãe
Não conheci a inocência
E fingia
Que as mães jamais sofreriam
E se você chorava
Eu tremia


C
Mãe
Não conheci a inocência
E fingia
que as mães jamais morreriam
E  se você silenciava
Era eu quem morria

  
3

 A

Mãe
Eu guardei tantos segredos em mim
Eu temia o nosso olhar
A mãe tem dom de adivinhar
As mães escondem a mulher de amar
Pois Medéia se enganou



Mãe
Crianças brincam de ensinar
o ABC dos mortais
É demais
O que fazem com as cinco vogais
Nos fazem parecer imortais
Depois nos roubam as certezas finais
Num  segundo acordamos animais

A

Mãe
Descobri tantas verdades cruéis
Crueldade é não saber
Não tinha medo de chorar
Não é verdade que a verdade dói
Choram as Plêiades no céu 

B 

Mãe 
Eu descobri as Yabás 
As deusas gregas e o céu 
das pagãs 
O cosmo das ateias e o chão 
das Amazonas e o coração 
de uma Icamiaba a se olhar ao luar 
no Espelho da Lua Yaci

 

 C

Mãe
Não conheci a inocência
E fingia
Crer em um único ser superior
Para quem você rezava
E eu duvidava

C

Mãe
Não conheci a inocência
E fingia
Não saber quem no natal colocava
os presentes sobre os sapatinhos
E eu agradecia a você

  
4


A
  
Mãe
me chamava bandoleira
Eu nasci pra vadiar
Vivia louca pra dançar
Foi quando ouvi batuques no quintal
Clementina me chamou

B

Mãe
Entrei na Roda pra sambar
Onde a tristeza aprendeu
Trocar
Os passos com a alegria
e dizer
No pé o ritmo do coração
Esse mundo é um moinho
Preste atenção
Um instrumento é bom se alguém tocar

A 

Mãe
Eu cantei com as sereias do Mar
Fiz barquinhos de papel
Um marinheiro me escutou
Fisgou meus sonhos nunca mais voltou
Afrodite me acordou

B

Mãe
As coisas belas são assim
As belas coisas serão
Sensuais
Amados não suportam rivais
Ouvi nesta versão de Ravel
Os amantes brincam em dar beijos mortais  
Disso sa-Be-a-triz em seu papel



Mãe
Não conheci a inocência
E fingia
Alegria pra não ver em você
A tristeza que era minha
E eu me perdia

C

Mãe
Não conheci a inocência
E fingia
Que as mães jamais passariam
Pela morte de um filho seu
Mãe você perdeu

5

A

Mãe
Conheci o impossível assim
Tropeçando onde não há
Nem mesmo um verso pra dizer
Onde nem mesmo nada há de haver
Alphonsina foi ao mar

B

Mãe
Parece fácil não morrer
Parece simples viver
E dizer
A terra é onde eu quero ficar
Sabendo que a canção chega ao fim
Não termina  diz  em seu bolero   Ravel
O começo de tudo está no fim

C

Mãe
Jamais perdi a inocência
Eu menti
Nesses versos que escrevi no bolero
Acredito que só as mães são felizes
e
Mãe
Eu serei
Feliz
Agora eu posso ser feliz
Alguém dirá pra mim
Eu sei fingir
Eu sei fingir que eu finjo
Sei mentir
Sobre essa dor
Sobre o amor
Toca o tambor
Do coração
Diz o refrão
Mãe quer mais
Mãe vem Mãe
Mãe quer paz
Pai


terça-feira, 5 de junho de 2018

A FEIRA GRANDE DE CAMPINA GRANDE

A FEIRA GRANDE DE CAMPINA GRANDE, Paraíba, foi inscrita pelo IPHAN, no Livro de Registro dos Lugares,  com o título de  Patrimônio Cultural do Brasil, em 27 de setembro de 2017 



IRENE MEDEIROS
Pintora campinense


PARCERIA COM HERMETO PASCOAL



Teatro Rival
Fui convidada para participar de seu concerto
Me acompanhou com um berrante.
2006
Foto de Cláudia Ferreira




A FEIRA GRANDE DE CAMPINA GRANDE


Música Hermeto Pascoal 
Letra  Numa Ciro


Quero lhe mostrar nessa cantiga:
Foi na feira de Campina 
Onde o mundo se criou.
Ouça com atenção! Na minha vida, 
Não vi coisa mais divina
Quando um cego anunciou:

Quem se aventurar nesse mercado,
Deixe aqui o seu trocado
Pelo nome de Jesus.
Eu não tive a vossa alegria
De ganhar a luz do dia.
A cegueira é minha luz.

Quase num milagre a vista alcança
Os detalhes de uma trança de cebola ou alfenim.
Acocorando escolhe coisinhas de barro
Só pensando na virtude desta mão que fez assim.
No labirinto do roteiro encomendado
Inverte a ordem do traçado quem começa pelo fim.

Corro na barraca de Zumira,
Vou buscar a lamparina,
Severina encomendou.
Olho para os lados, vejo briga,
Não é nada, é a pechincha:
Nada besta o comprador.

  

Eu e Hildebrando passeando na Feira de Campina Grande.
 Barraca Boa Vista - de Seu Aluísio -  já não está mais entre nós.
Seu filho Wilson continua lá


Quero visitar seu Aluísio
E comprar queijo de manteiga,
Apelidado de Romeu.
Quando ele se junta com o doce de goiaba,
Julieta,
Casa quem disso comeu...


Para comprar bode novo tem lei:
Pai de chiqueiro, cuidado!
O cheiro é desagradável demais, porem,
Buchada é prato de rei.
Pois, é.


Dê outra volta pra gula vestir
Carne-de-sol posta em mantas
E as linguiças, gravatas, são fashion, sei:
Luiz cantou isso outra vez.

Bonecas de pano,
Panelas de barro,
Califon de moça,
Vestidos engomados.
Pro recém-nascido: Toquinha e Casaco.
Barbeiros "Péla Porco" embelezam o passado. 
Futuro é do tempo, 
Fartura é de agora.
Quem vem nessa feira vadia pela hora.
Quem pega em rodilha não teme o balaio.
Fumo de rolo e Cachaça espanta o cansaço.
Quanto cobra pelo frete?
Eu lhe pago em dobrado
E dou mil pro assovio.





Jabuticaba, Cajá, Mimo-do-céu; 
Abacaxi, Macaíba,
Quebra-queixo, Pitomba, Castanha e Mel;
Queijo-de-coalho e Beiju.

Côco-catolé, Caju, Sapoti;
Fuba de milho, Sequilho, Rapadura
Mangaba, Graviola, Umbu;
Manteiga-da-terra e Mastruz.


Barbeiros "Péla Porco"
Fotografia de Roberto Coura - 1978


Bonecas de pano,
Panelas de barro,
Califon de moça,
Vestidos engomados.
Pro recém-nascido: Toquinha e Casaco.
Barbeiros "Péla Porco" embelezam o passado. 
Futuro é do tempo,
Fartura é de agora.
Quem vem nessa feira vadia pela hora.
Quem pega em rodilha não teme o balaio.
Fumo de rolo e Cachaça espanta o cansaço.
Quanto cobra pelo frete?
Eu lhe pago em dobrado
e dou mil pro assovio.

Não deixe a Feira sumir
Não deixe a Feira acabar
Campina Grande é ali
Grande é a feira de lá

Irene, num quadro,
A Feira imortalizou.
Irene não morre
É imortal quem pintou

Não deixe a Feira sumir
Não deixe a Feira acabar
Campina Grande é ali
Grande é a feira de lá

Irene, num quadro,
A Feira imortalizou.
Irene não morre
É imortal quem pintou 







Na Feira Grande, o primeiro Gramofone
foi o tal “bicho falante” que a cidade conheceu.
Primeiras salas de cinema inauguradas 
Foi na Feira de Campina que a imagem se mexeu

Na Feira Grande de Campina Grande cantam
Asa branca, Miudinho, Bem-te-vi, meu Sabiá.
Até o Galo de Campina se casou 
Com a Noivinha Coroada e fizeram ninho lá.

P’a quem quiser tocar na feira:
Na feira encontra a condição.
Tem fole e sopro cordas e teclas. 
O que não falta é percussão.



Foto de Cláudia Ferreira





Gravada no Estúdio de Ricardo Calafate
Arranjo de Itiberê 
Músicos de sua orquestra
Vozes de Numa Ciro
Socorro Lira
Tadeu Mathias
Coro Lan Lanh, Jussara Silveira, Bia, Numa, Alba Lírio

domingo, 22 de abril de 2018

Parceria com MAKELY KA e ANTÔNIO SANTANA

MAKELY KA







ANTÔNIO SANTANA





CANTIGA PARA UM RIO MORTO



Música   MAKELY KA 
ANTÔNIO SANTANA
Letra      NUMA CIRO



Nascente de um Rio
Olho D'àgua



Olho d’água vê caminho do Mar
Rio vai ao mar
Olho de mãe vê seu menino
Seu menino ir
Destino de mar escrito no chão
No leito de pedras
No leito de barro

A nascente chora e sente
Não esquece 
Rio menino!
Não esqueça a pureza da nascente
Há perigos ali:
Homens vão surgir!
Ai ai ai aiiiiiiiiii
Quem nos livra
Ai ai ai aiiiiiiiiii
Os seus passos cavam mortes
Leitos/tumbas
Os seus rastros são de galhos são de ossos
Seus negócios são destroços sem fim
Quem nos livra
Ai ai ai aiiiiiiiiii
Onde está o rio?
Ai ai ai aiiiiiiiiii





O RIO (que era) DOCE 



Olho d’água ficou cego de olhar
Olhar e não ver
O rio menino perdeu o caminho

A nascente sente saudade do rio
Chora
E o rio se enche de rio

Rio de lágrimas








Poema Nascente

Numa Ciro


LÁ DENTRO DO MATO
DO MATO
DE DENTRO
LÁ DENTRO DO DENTRO
ONDE NINGUÉM VIA
LÁ DENTRO DO MATO
UM RIO NASCIA
A NASCENTE RIA
O OLHO DE DENTRO
DE DENTRO DO MATO
E NINGUÉM SABIA
QUE HAVIA O OLHO QUE VIA
O DENTRO DO MATO DE DENTRO DE DENTRO DO MATO
E NINGUÉM


RIO                                     IA
OLHO D'ÁGUA                    RIA
E NINGUÉM                             VIA