quinta-feira, 15 de junho de 2017

UM TANGO INESPERADO







UM TANGO INESPERADO 







Versão de Numa Ciro para Tango nel fango
(texto original de Aldo Stellita - música: Carlo Marrale)
Disco Tango - Matia Bazar






Dançaram juntos um tango em Madri
Única vez dançaram
E jamais
Um tango inesperado
Aconteceu

Olhos nos olhos
O corpo era o céu
O tempo exato o espaço entre eles dois
Em passos lentos maliciosos
Dançavam sem destino
Apenas um
Tango
Um tango ao anoitecer
Tango
Um tango de enlouquecer
Tango




Dançaram juntos um tango em Paris
Mais uma vez dançaram 
E jamais
Um tango inevitável 
À meia luz

Lábios entre os lábios
Sorriam sem pudor
Os bailarinos dançavam uma vez mais
Com passos leves flutuantes
Dançavam sem destino
Apenas um

Tango
Um tango ao anoitecer
Tango
Um tango de enlouquecer
Tango






Toca saudade
Um tango para dois
E os bailarinos sozinhos dançarão
Um tango imaginado
Em seu prazer





Amantes distantes tomados de furor
Alegremente zombavam do amor
Silenciosos  
Ofegantes
Dançavam sem destino
Apenas um 

Tango
Um tango de enlouquecer
Tango
Furioso de tanto querer
Tarde
Demais para esquecer




terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

PARCERIAS COM LANLAN


Lanlan



ARTE-MULHER


Gustave Courbet
L'Origine du monde
1866



A ARTE É MULHER


Letra Numa Ciro
Música Lanlan



Eu conheço a origem da origem,
Antes mesmo de ser originada.
Inventei a existência antes do nada,
Quando o Ser era o Tempo em Vertigem.
Inventei a casa e a viagem.
No advento de Galáxia, fui parteira.
Eu cuidava do berçário das estrelas
E ninava cada uma nos meus braços.
Assoprava a poeirado espaço
E elas riam com a minha brincadeira.


Vi a Terra engravidar do universo
Pelo sopro da natureza. E a criação
Era simples rotina e diversão.
Não havia discordância no inverso:
Se da luz fizeram-se os versos,
Das sombras da noite, a ficção.
A verdade foi a joia da invenção.
A diferença, melhor aproveitada.
Era o Caos, folia organizada,
O princípio da humana inspiração.

  
A mulher apareceu inesperada,
Quando eu era o protótipo de um Drone.
Na filmagem, escutamos o seu nome:
A primeira palavra inventada.
A Mulher, por si mesma, foi criada.
O pensamento saiu da sua boca:
Antes disso a linguagem era oca.
Ao sentimento, ela deu um coração.
Inventora do Amor e da razão,
A Arte é Mulher.


Harmonia Rosales 





 PSICODÉLICA

Música  Lanlan
       Letra      Numa ciro



Posso viajar o ano inteiro
Sem jamais voltar ao mesmo endereço 
E mais
Dou a volta ao mundo em um segundo
Volto atrás e encontro o velho futuro




Sou assim
E quem me vê assim
Diadorim 
Ontem mesmo a figura estranhou

Eu vou sair
Alguém vem junto?
Eu
Eu vivo assim
Mudo com o tempo  
Tenho a sorte a meu favor




















Não sou pessimista
Meu Jaguar veloz na pista
Ligado em Rock and Roll
Dizem que sou rica
Mas não tenho ainda um disco voador                                                 



Sou assim
E quem me vê assim
Tão free again
Ontem mesmo a figura se mandou
Não dormi 


Agora já... ... ... 
...esqueci.


São Dumont!


Já de malas prontas 
e o check in… 









Dizem que sou rica
Pego a dica e vou bancar meu carnaval
Sou pós-modernista
Faço antropofagia sideral



No terraço em minha cobertura
Posso dar o pouso à nave futura



Um ET sentado em meu carrão 
Banco a carona e a tradução



Meu pão

Vem me contar a sua história
Bagunçar minha memória e meu cartão

Vem me dizer se onde mora
Tem registro de humanóide imigração

Vamos dar um giro na galáxia
Até que a morte não desligue o coração






sábado, 4 de fevereiro de 2017

AEROGRAMA PARA LISBOA EM PESSOA




 AEROGRAMA PARA LISBOA 
EM PESSOA

  Numa Ciro 



Lisboa 
Esbanjas beleza
Tão longe da minha casa
Invejo as tuas gaivotas
Em sonhos lhes roubo as asas
Lisboa 
Serias francesa
Se o Tejo afogasse a saudade
Minha voz te fez brasileira
No Teatro da Trindade
Na peleja com a língua
Onde cantei Eça Saudade




Passei um tempo em Lisboa
O tempo das quatro estações
Morava na Rua de Amália
Lá se escondia Camões
Levou-me a pecar na Madragoa
Tomamos o licor do Santo Rio
Então vimos Fernando 
Em Pessoa
Sentado à janela...
O coração na mão...
A tomar Ginjinha do Rossio


Detalhe da gravura de Georgius Braunius (1541-1622

Entreguei minh’ alma desarmada
Aos fados vadios de Alfama
Roubei dos fados a saudade
Que havia em cada aerograma
Mergulhei entre Oeiras e Almada
E o Tejo abraçou-me com vontade
Era eu quem nele desaguava
Fui sereia
E a minha voz
Eu roubei da cotovia que cantava





quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

PARCERIA COM CARLOS WALKER

Horas Ausentes


 MÚSICA CARLOS WALKER
LETRA NUMA CIRO




Mundo distante...
Naquele olhar
O mundo é quase mar
E nessas horas de ausência
Navego oceanos  bravios. 
Nenhum olhar à vista.
Apenas corações, em cardume, desiguais.
Desamarro meus navios
Para cair na tentação das sereias.

Nenhum sinal de paz
Inverno em meu peito nu.
Noite a dentro é assim
Sempre esperando adormecer
Passar de mim em mim
Ninguém virá, ninguém.
Noite a dentro é assim
Sempre esperando amanhecer.


domingo, 15 de janeiro de 2017

LETRAS E MÚSICAS - Composições de Numa Ciro

                 

LETRAS E MÚSICAS 

Composições de Numa Ciro 



I

AS QUATRO ESTAÇÕES DO FREVO 

           

Alegoria da Primavera
Sandro Botticelli






A PRIMAVERA




letra e música NUMA CIRO


para as sobrinhas e a neta
eternamente mocinhas

BIANCA MORENA
MARIA CAROLINA
MARIA EDUARDA
SOFIA
JOANA

e

BEATRIZ  entrou na ro-o-da    
             

                    
RODA
MILTON DA COSTA
               

 A Primavera
Namoradeira
Chegou à cidade com as Cirandeiras

A Primavera

Chegou à cidade com as Cirandeiras

Grafitava os muros
Dançava nas praças
Subia nas cercas
Serpentinas trepadeiras

A primavera  
Foliã jardineira!
Brincava de Gardênia Camélia e Açucena
No Amélia não
Ela não brincava
Primavera brincava no bloco das Madalenas

Quando as flores estalavam gargalhadas
Velospiava o pião no meio-fio
Rodava mundo
Deitava o vento
Beijava-se o próprio desafio

A primavera acordou o sol da casa 
Demorando em pensamentos de preguiça
Rindo de nada
Querendo tudo
Mas tudo só havia na cobiça

A primavera
Foliã bordadeira!
Fantasiava os nus
Despenteava as cabeleiras

A Primavera
Passou fantasiada
Mulher do meio-dia dançando de Sombrinha

Onde andará a primavera? 
Onde andará a primavera?

No bem-me-quer-mal da florzinha
Ou alongada no elástico da calcinha.








VERÃO





VERÃO CARIOCA
Christine Drummond


Letra e música Numa Ciro


O Verão chegou!
E a cidade acordou com olhos de mormaço
Uma onça pintada denominada Aurora mostrou os dentes
E a risada era mesmo que ver uma revoada
E eu sozinha
Malone vive alone andorinha

Eu quero um Béquete
Me dá me dá
Praias livres para o banho
Eu vou bancar
Topless na areia
Um bronzeado esperto
Sem marcas
Eu fico à vontade pra nadar
E pernas pra quem me quer de saltos
Sereia
Eu quero é cantar



Volpi 


No verão
A cidade caminha por um fio
Entre nádegas dúbias
Benevolentes
Do oriente ao ocidente
E o disbunde é
Mesmo que estar numa festa Odara
E eu na pista
Malone brinca alone de artista

Vem Carnaval
És o verão
Onde tudo é permitido
Maman Maman
Eu quer
Um beijo de língua um abraçacinho uma rave
Um caso alegórico de amor popular
Aos braços
De quem se faz de alvo
Acaso eu caí no carnaval




Heitor dos Prazeres





OUTONO
                       







letra e música Numa Ciro 

O Outono voltou
Já chegou tirando a roupa
Entre voos de pássaros
Passos dos passistas

O sussurro dos ventos
O murmúrio das ruas
Invadiram o silêncio das artistas
Dizendo-se atraídas pelos tempos
Acordaram Mascaradas Futuristas

Lá dentro
Um abajur iluminava
A cama dos sonhos interrompidos
Instrumentos virtuais
Eletrônicas vitrolas
Tocavam frevos esquecidos


Lá fora
O estandarte anunciava
O equinócio de um outono bailarino
Tambores ancestrais
Rabecas salustiais
Tocavam  frevos do destino

O outono soprou
A invasão dos namorados
Reco-reco Eco
Transeuntes perfumados
Eram vícios notívagos
Requintes da alma
Pernambucando carnavais antecipados
E pra contar quanto custa a liberdade
Criou-se o bloco Transgressores da Saudade





A Flor do Mandacaru

"Mandacaru quando fulora na seca
É o sinal que a chuva chega no sertão..." 
                   Luiz Gonzaga e Zé Dantas



O INVERNO

 Numa Ciro
                       

Para minha avó Milicot







O inverno Chegou! 
O inverno saltimbanco
Aos prantos
Fez cachoeiras
            
Os olhos do meu avô
Eram 
Espelhos das ribanceiras

A minha avó cantou
Um frevo que faz chorar
Mas era um frevo bonito
Era um convite
Tristeza que vai se acabar
O nome do frevo é
 Recife em Fevereiro 
Pro nosso inverno imaginar


O inverno é antigo 
quando o mundo não havia
só havia o inverno

O inverno é um velho
Até faço o seu retrato
com os versos do meu frevo 


Há tempestade nos olhos
Relampejante o sorriso
As rugas fósseis são leitos escavados
Com as lágrimas de amor perdido
Quem perde amor encontra amores no futuro
Amor é o brinquedo de Cupido 























domingo, 25 de dezembro de 2016

CIRANDA E CANTIGA


A CIRANDA E  O TEMPO


Numa Ciro




LA DANSE
Matisse


Pedi um beijo só no pensamento
Quanto mais pensava
Só beijava o beijo
Só me admirava
Só no pensamento



Sagração da Primarera
Pina Bausch



O tempo estava a brincar comigo
Quando eu brincava
O tempo se escondia
Tempo de alegria
Quero dar risada




Beijei teus lábios no meu sentimento
Quanto mais sentia
Mais me acostumava
Mais eu te beijava
Só no sentimento






RICARDO WOO




A Lua nasce quando o Mundo escurece
Dizem que a luz da Lua não é dela não
A Luz da Lua é a tua
A Noite disse
Do teu Olhar o Luar cria o seu Clarão