TOTEMICA
Totemica
estava parada no meio de um pensamento absolutamente estarrecedor
Não fora
um vento forte sacudindo seus segredos ela não se daria um minuto de trégua
Trabalharia
naquela orgia ideal até esgotar a última centelha dos ânimos
sonhos
invertidos
insensatos
beijos
meses
leves
aromas idiomáticos
arrebatadores
lábios nos espelhos
nenúfares
luminares
quadrúpede
alazão
pégaso
do sertão
asas da
sonhação alarme
valei-me
pensava ela
Totemica
ainda ali parada no meio do redemoinho d’aquilo que parecia ventania de
pensamentos
Totemica
sorria sozinha
pra fora
e pra dentro como se conversasse consigo
mesmo
que fosse só o atrito do pensamento no pensamento
pensamento
contra pensamento
pensamento
sobre pensamento
pensamento
querendo pensar menos pensamentos
voam
pensamentos
aviões
andorinhas
gaviões
dumbos
gafanhotos
as
alegres comadres de wind surf
aparelhagens
confusas das risadas domésticas
específicas
descobertas
extremas
nervuras das américas lineares
pisadas
convalescentes do ódio!
quantas
reticências...
quantas
anedotas...
quantas
esperanças ...
etcé...
terás... pensou
totemica
pensou pensou pensou
alguém
já se
imaginou assim com tantos
pensamentos?
A
campainha toca.
Totemica
vira outra
atravessa
os pensamentos quase num esforço milagroso
um
Moiséis abrindo o mar
e não
atraveeeeeeeesssssá-lo?
anda
pela sala procurando a porta e o juízo
e
pensando
será a
vizinha que vem pedir emprestado um
pouquinho de sal?
já são
quase as horas certas para alguma coisa
e se for
a amiga da empregada?
daquela
que só
gostava de lavar a louça com sabão de côco
ela saía
sempre às 16 horas
saia
justa
blusas
frouxas
tamancos
altos pretos ou vermelhos
brincos
de argolas ciganas desvendadas
dadaísmos
urbanos indecentes dadivosos duvidosos indefesos invisíveis palpáveis
A
campainha insiste
Totemica
toma um gole de susto e volta
procura
a chave da porta
da outra
porta
e gira
sem esquecer do momento que procurava este apartamento
como
imaginava diferente disto que acabou querendo e pensando
era este
mesmo
já
constava no mapa dos seus pensamentos
o
endereço do esquecimento
Totemica
abre finalmente a porta e se depara com um pensamento em pessoa não sabia
definir se era um homem ou uma mulher
uma
pessoa inédita e autoritária pela presença real e tão nítida
inacessível
porte
amarás à
próxima depois de ti
tão
próxima de teu próximo e bem distante de ti mesma
e o que
mais?
e o que
quer esta pessoa em pensamentos palavras
gestos
um mero
objeto de contemplação?
A
campainha toca mais uma vez
Totemica
Totemica cadê a expressão
o gosto
pelo outro lado do tempo
o outro
tempo do mundo habitual das coisas cotidianas e reais
como um
simples atendimento a uma porta
o
simples dizer boa tarde
o que o
senhor
ou a
senhorita
ou a
senhora
ou seja
quem for
o que
quer de mim?
o que
veio fazer aqui?
o que é
bater na porta o que significa abrir a porta o que é que eu quero dizer ao
abrir a porta como o mundo começou por que eu estou aqui qual o peso da minha
corporeidade na convicção de que existo sem querer dizer filosoficamente
falando quer dizer não existo não penso não sou mas quando tenho fome eu sei
uma coisa que só eu sei e sei que todo mundo sabe porque quando vou matar minha
fome todo mundo quer matar a sua fome também e cada um se arma se ama senhalma
ah aha ahaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhh se tudo coubesse dentro e se o que
ficasse de fora fosse o seu lugar seu lar seu apego ao tempo relento
PENSO
em como
tudo foi acontecendo
aos
poucos
E tu?
Nem vias
meus
olhos náufragos
querida
Não me
olhes assim
Nem me
ocorre como poderias
Perdi o
controle a bolsa qualquer possibilidade
Perdi o
ninho o leite a vergonha das faces
Corri
desenhando riscos
Venceram
forças ocultas
Tantas
bobagens alicerçadas...
Sombrios
os dias
Apaziguadas
as horas
Em
nenhum momento vinhas
Tantos
mares desperdiçados e nenhum olhar à vista
O
pensamento finalmente dorme e se espreguiça entre estáticos pontos de
esquecimentos
No fundo
opaco enganador teu vulto escandido e navo resplandescente como um grito no
escuro uma carícia não identificada
Só o
rastro
Bandido
das coisas perdidas
Furtiva
amada
menino
astuto
vestal
criança
olhar de
espanto complacências
Quadros
se superpõem aos livros e estes aos discos
frases
inteiras com a estética do latim
A
campainha parou de tocar
Mas ela
nem pode imaginar quando parou
se foi
um deslocamento do tempo em relação a um certo suceder
ou
melhor
em
relação a um certo acontecimento sonoro
que
provocaria um outro acontecimento realizado por quem escutasse este som
neste
caso
a
campainha que tocava
isto
sugeria que alguém falava para uma determinada pessoa uma porção de coisas como
abra a
porta abra a porta por
favor quero falar com
você se não for você a
pessoa com quem eu quero falar eu termino por querer que você me atenda e me
informe onde posso encontrar a pessoa com quem quero falar mas
eu já
estarei falando com você a pessoa que ouviu a campainha e que é obrigada a
responder a este sinal que exige do escutante uma resposta que é exatamente uma
prova de adaptação a um dos códigos de comunicação para que possa haver um
mínimo de interseção entre um elemento e outro do conjunto daqueles que falam
para que
me dá
até preguiça pensar no que teria que pensar sobre a tarefa exaustiva dos
falantes de ter que decifrar a cada momento os códigos da convivência
os
sinais da existência
os
abusos da sobrevivência
e isto
pode significar a loucura!
pois
é daí
que também se escava a matéria prima do sentido até a significação mortal e ao
mesmo tempo toda a possibilidade de vida que em si mesma não significa
nada que quer dizer significa nada
não
significa nem sequer nada
LÓVEME LÁVEME LÚVREME LÉVEME daqui
Umas
flores
Quaisquerrrrrrrrrrrrr bombons
Naturalmente
sofro e não de onde o nascente querer
Naturalmente
como como
tenho
pensado nisto constantemente
e não
encontro vestígios de tão árdua execução do intelecto
pois
considero tuas carícias verdadeiras pérolas da disposição humana para a
inquietação
Quem nos
viu naquele instante de inquietante sofrimento...
Quem
adivinharia o incômodo?
Talvez
se apontasse o diafragma querendo pontuar o buraco
Mas não
Somos
uma criança perdida com o endereço no bolso
Então!!!
Vejo
crescerem os motivos de arrependimento
sempre
que penso nos atos desperdiçados
nas
enganosas indicações
de que
mesmo?
de
quando em quando
e basta
Pare de
rir de rir de rir de rir
Pare de
mim de mim de mim
Paro de
viver
Paro de
morrer
“Para o
mundo que eu quero descer”
Já li e
ouvi esta frase em algum lugar
- Para o
mundo que eu quero subir
Diria eu
Se eu
encontrasse o ponto de parada do mundo
Mas o
mundo não é um ônibus
É um
navio
Eu não
sei nadar
2
Fui
criada dos riscos
Atravessando
as ilusões mais sutis pensava que entendia a vida como aquela árvore que cresce
sem falar
Olho
Pela
janela a noite continua a mesma
Não a
noite
Eu
Continuo
a mesma
Não ouso
tocar nesta serenidade
Ignoro
esse barulho
Ah! O
que é que não foi?
Isto
importa
Mesmo
assim continua sendo irrelevante
Ah!
É tão
carinhoso ser apanhada de surpresa pela vida
(...) de
repente
Riscos
de felicidade
E eu me
pergunto
?????????????????????????????????????????????????????????????
E não me
respondo
- - - -
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
- - - - - - - - - - - -
Ontem
Fiquei
horas a perguntar de uma extremidade
Há outra
Procurei
exaustivamente por uma síntese
Um
sossego
Uma
centra----------------------------------------------------------L
-------------------------------idade
Porém
Uma
obstinação pelos cantos
Pelas
linhas divisórias arrepiantes dos desenhos que fazem silhuetas em noites mal
iluminadas despertam muito mais curiosidades
Pé ante pé
diante de mim
As vezes
me assustam
Às vezes
me cariciam
Algumas
vezes penso que sou como a maioria das gentes
Que
traduzo com a máxima fidedignidade o sofrimento alheio somente para esquecer a
enorme decepção de ter apenas uma dor singular
Tantas
vezes sem eco sem
solidariedade
Uma dor
abafada que se omite que se evita
Com a
qual nada se faz a não ser deixar
Quantas
vezes ficarei assim?
Conto os
minutos como se o tempo que preciso pudesse caber em qualquer relógio
3
Faz um século
Faz um segundo
Faz qualquer coisa pra ficar assim
Faz muito frio aqui
Foram as
últimas frases que ouvi de seus lábios
Faz muito tempo
Ainda não pensava em suicídio
Nem gostava de chicletes
Parece que foi ontem
Foram as
únicas frases com as quais usei meu pensamento enquanto seus lábios
pronunciavam as últimas frases
Ainda
lembro aquele olhar
Além fixo
Aquém imóvel
Não me
sai da cabeça aquela imagem
Meus
olhos nem mais descansam
Mal
distinguem longe-perto mal durmo
As
lágrimas escorrem
Estações
emocionais exercendo expressividades
Visões
de espaços interiores onde pululam incessantemente as mais variadas formas de
vidas inventadas
Vertigens
Parâmetros
passionais
E
ninguém
Ninguém
mesmo inventou coisa alguma depois que se inventou a roda
Só o
mundo dando as sua voltas
Amada bem que anoiteceu
Estávamos
precisando deste sereno lá na pista
Quando
as luzes se acendem compondo a paisagem dos edifícios
quem
pensaria nos amantes?
E nas
empregadas domésticas?
Quem
pensaria nas crianças que iriam dormir?
Os
pais chegariam do trabalho?
Não
penso na família
Penso no
que ouvi de um passageiro
no
ônibus 136 RODOVIÁRIA / COPACABANA:
Só acredito no que sinto quando dói
4
Meu sono
não cabe na minha cama
Meu
tempo não cabe no relógio
Daí...
Espalho-me
Sonho
Acordo
no meio da noite
ONDE -
FICA - O - MEIO - DA - NOITE?
Vire-se
Quero
ver sua boca articulando cada sílaba desse diálogo imaginário como se eu fosse
uma simples beata sentado no banco de uma capela e você no púlpito
Eu sou
nós entende?
Eu sou
voz entende?
O por do
sol cai nas minhas convicções
Quando a
noite chega eu começo a pensar nos medos de tudo
de como
a noite nos engole com sua boca enorme de raiva e desejos
- EreeeeeeeeeeeeeeeeeeJe!
A noite
dá uma risada triste tão grande
Por que?
Por que
penso tanto?
Até de
madrugada aquela voz é o mesmo disco sem fim
Minha
cabeça gira tudo esse olhar fixo por um
fio
atravessa
paredes
Um bicho
feroz atravessa na direção desse olhar
Rompem
vesúveis sinais visíveis
intensamente
iráveis noites intactas em claro
Não
posso esconder isso
desejo
de mim
fecho
gavetas apago impressões negócios conselhos de esquecer
dou
gargalhadas ao vento
Tento
Na
direção desse olhar tem um bicho feroz
5
Acordei e era belo aquele gosto estranho na boca
enquanto o sol batia despudoramente nas vidraças
Espreguiçava olhava
As
festas das frestas
Sorria sorria
arrebatadores risos sacudindo os ombros
Tudo era
apenas formas de passar à margem do óbvio
Olhei de
lado
Completamente
cinza o traço
Flores Arcos
Dobras Cacos Revistas
Havia um
prazer convulso por ter acordado
Sempre
me surpreende estar
Olho ao
longe sem olhar
Até
desenrolar todos os sentidos
Até onde
podem ir os pensamentos?
As
tardes caem? As noites descem?
Olho à
perto acerto
EeeNnnnoooooOOOOOOOOOOOOORrrrMmmme
a boca
Abertas
mãos à obra ao alto
Abro as
pernas UM TREM
PASSA RÁPIDO
Puxo as
cobertas que sono pesado meu deus se alguém fechasse as cortinas (...) esse
gosto estranho na boca que música é essa?
-
Ô de dentro?
-
Ô de fora?
Há?
Há!
HOJE O
CORAÇÃO FERE A
RAZÃO
Acordei
com um belo de um gosto estranho na boca impaciente com tudo irrita-me
sobretudo passar pasta na escova de dentes este frio que não passa basta!
Besta! Estou uma pilha merde! Ainda bem que encontrei este cigarro Que me resta senão abrir janelas à arquitetura dos planetas à mixagem
dos sons urbanos como se fossem carícias próximas dos pensamentos razões silenciosas
auto-crítica
-do amor-puro sujai a lógica
ética
exuberante
CAVALO
CAVALO CAVALO artigos à vulso vespertinas notas de cristal
Zummmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmbiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiidos
Idos zuns
bis uns is zabumbas e
olhos
giram sugando estrelas solitárias
voltas
em vãos
-
Sois como a noite!
Gritou uma voz aqui dentro um ruído estranho aqui dentro do bolso do
peito
-
Não
não temas tens que tens que...
perdida
voz no peito
-
Aqui dentro habitas somente
aqui dentro lá fora FALTAS
És toda minha aqui dentro lá fora silencias
Passei
esta noite tudo em claro doía
muito
A cada
sonho em que passavas beijavas
beijavas beijavas
6
Ninguém
me disse vá embora
Não
chegou em nossa casa nenhuma notícia extra vagante
Mas
fiquei problemática
o dia
passou com uma cara de ausência você saiu pelos corredores e eu
eu me
salvei na ilha do pensamento
bati em
portas que seriam herméticas se já não estivessem tão forçadas
-
Suja! Foi tudo quanto meu
pensamento conseguiu articular para o lado de lá sublinhando aquela criatura
sem destino
-
Não
ela não tem culpa mas está nula
-
Francamente sua tola você se impressiona com tudo que se
movimenta lá fora
E
se? E se? E se...
Pára de
pensar Pára de pensar
Há
séculos comecei a criar este país de ilusões
Lembro-me
bem quando foram inauguradas as primeiras fábricas de carícias
ah! Como
você sorria ali sozinha naquela poltrona perto do rádio
você
viajava sem memória
só
através das imagens instantâneas
eu
percebia de longe
não
conseguia parar de olhar
ficava
acompanhando a linearidade da sua postura
O que?
A
linearidade da sua postura
Às vezes
os dedos brincavam nos braços da poltrona
eu
fixava tais inexpressíveis movimentos como se traçassem bailarinos no
palco O que?
Como se
traçassem bailarinos no palco
Por
essas coisas pensei
teríamos
sido feitas uma para a outra
uma para
a outra
somente
eu conhecia a singularidade de tantas coisas sem importância
nem uma
vez me impacientei com seu olhar de vidro
às vezes
sorríamos
dávamos
rascantes gargalhadas
nesses
instantes nossa existência ganhava sentidos extras... ordinários ...
basta? As horas passavam não o tempo
Quem
haveria de entender a lógica das datas que regulam a chegada de cartas contas
folhetos convites etc. etc.
etc.
Perguntávamos
ao mesmo tempo : - Você passa?
Numa
dessas ocasiões compreendi
tínhamos
feito um pacto mudo e cruel
ignorávamos
a noção do tempo
ocupávamos
o espaço da inexistência
vivíamos
tão quase imobilizadas que reparávamos nas menores mudanças
assim
abandonamos
as lembranças
esquecemos inteiramente de como éramos na
adolescência
era como
se fôssemos sempre assim
no exato
momento em que vivíamos
não
sonhávamos com o futuro
caímos
numa inexorável existência presente
Uma
gargalhada esvaziou mais um espaço denso e fez os objetos caírem num desuso sem
precedentes
aquele
estrondo se espalhou desde o ventre e levou todos os infernos em seu eco
-
Não se objetiva assim uma tão grande
dor
-
Deixa-me seduzir
-
Fora com esta crença
TUDO FORA EM VÃO
À duas
caminhávamos
sem sair do lugar
isto se
tornara apaixonante
convivíamos
satiricamente com esta desesperança
simplesmente
não esperávamos
um
dia
noites
Longínqua repetição anacrônica
delicada
seria
se não
fosse tão pesada
parecia
que a dor do mundo se despojava aos nossos pés
E nós?
O futuro
a deus pertence adeus presente adeus
pertence o presente esquecera seus
pertences no futuro momento em que se desesperara e sem encontrar solução nos
breves instantes de perplexidade entregou-se ao adeus disse adeus à sua
autoridade interna chorou durante toda a noite rezou para Santa Cecília e se
viu cantando no coro da igreja
depois não conseguiu lembrar-se
de mais nada compreendeu que estava
só corria corria
corria tentava segurar uma
borboleta que não parava em flor alguma mas dava a impressão de querer ser
alcançada Ficou sem fôlego parou num lugar desconhecido a sensação era a de ter chegado depois nada
Quando
deu por si procurou sentir novamente aquela onda quebrando na rotina Lembrou dos sapatos amarelos e dos momentos
na frente do espelho
- Sempre tentei evitar esse assunto é tão
fascinante este silêncio
É só ouvir mais nada
Razões
silenciosas caem como gotas de mel
mas o coração duvida
Procura-se
no fundo do poço apenas o fundo do posso
O fundo
do posso não tem fundos
Eis o
balanço do vazio infra-mundo
- Quem me dera ceder a essas carícias
enigmáticas...
Fingirei
que não quero mais
Recusarei todas as conveniências
Imigrações
de insetos na mira do horizonte
z com A
maiúsculo
Apenas
uma fórmula qualquer para puxar pensamentos tardios e meticulosos
Há
somente uma única esperança guardada aqui na boca
Tudo vai
depender apenas da voracidade da fala
7
Ela está
ali e eu não posso
Olham e
riem de mim as naturezas mais estranhas
Sim o que fui não importa
Por isso
mesmo continua a ser irrelevante
Suporte suposições não
Não
quero amenidades
Saem
pelos meus olhos todos os objetos que por ali passaram
Mesas de
pernas pro ar
Cadeiras
postas de lado
Lençóis
molhados
Algodão
sujo de mercúrio
Cabides Cromos Soutiens
A Baía
de Guanabara
Há de
todos os santos
Bacias
hidroelétricas
Bactérias Fungos
Estafilococus
E o que
mais?
O
muuunnndo!
Você se
basta
Eu sou
você + tu + nós
E o
produto somos todos os beijos
Quem
sabe?
Os
deuses me recebem e eu provo do néctar
hem?
Estalo a
língua estranha aos seres
Igualzinha
quando acordo em certas manhãs e quero morrer
Depois nem sei
Imagino
morrer só para ver as pessoas que amo sofrerem
Mas só
um pouquinho
Queria
vê-las reunidas à minha volta com o último dos respeitos
ou das
temeridades
Estariam
enfim diante do meu total silêncio
Seus
olhares sem retorno às avessas como um tiro pela culatra
Nunca
tinha pensado antes que eu guardasse tanto ódio assim
Quase
gozo quando imagino que não seria o meu silêncio que as incomodaria
Mas o
silêncio delas em mim
Fiquei
horas assim feito uma parede sem ressonâncias
Um
objeto inerte de olhar atônito infinitamente pra-dentro pró-fundo
pré-abismo
pras-coisas-desconhecidas-de-tudo
- Esse tipo de expressividade às vezes me
assusta pensou alto
- Você sempre fala o que lhe chega dos
miolos sem consideração alguma
Já lhe falei das auroras de outrora que não passe pela contramão do meu
entendimento
Pensou
baixo
Depois
Continuou imaginando a morte
Coitada tão boba
Esse
ódio parece mais uma disfarçada idiotia...
Fernando
mandou dizer por Álvaro que depois da surpresa
depois
do horror
depois
do velar
depois
do lamento
e da
trágica retirada para a cova
vem logo
depois
'o
princípio da morte da tua memória'
aparecendo
a princípio em forma de um alívio
Assim
as
conversas cotidianas embrulhadas na rotina teceriam o meu esquecimento
no
pensamento deles
Em
seguida ao espanto inicial
eu
viraria uma página virada na vida de todos
Aí é que
seria engraçado se eu de repente me levantasse
despertando
daquela catalepsia desabonadora e irretocável
as
pessoas ficariam tão decepcionadas...
Como
interromper um trabalho de luto?
Elas já
teriam passado pelo pior ou pelo melhor
E eu já
teria vagado pelas rotas imaginárias à deriva
extraviadas
voltas à beira do abismo presente em todos os lugares
e ao
mesmo tempo num oceano de realidades impossíveis de se ignorar
E a
razão?
Podia
tudo podia nada
E eu?
Sabia
tudo sabia nada
Expulso
idéias de perfeição
elevo as
fantasias ao nível da curiosidade sem retorno
sem
satisfação
como se
ignorasse o lugar
Como
chegar?
Para que
este enrodilhamento?
Eu só
quero cagar em paz
Não
quero um lugar na frase
8
Já se
passaram 11 horas
E aquele
telefonema?
Ultrapasso
dias velozes
Quando
observo os séculos pelo ponteiro do relógio os segundos parecem cruéis
Um dia
só pensei na morte
Aquele
era um dia interminável
Olhando
as flores percebi que as pétalas exibem horizontes perfumados
Longínquo
o horizonte dos beijos lá no fim da rua
quando
chego cansada a pé sem fôlego lívida de calor
a te
querer tanto quanto a um banho
Assim
atingi
os indícios mais simples deste caleidoscópio fantasmático e espectral dos meus
órgãos
Muitas
vezes perco os contornos e não crio novas emoções
Fico
Inerte e
procuro silenciosamente o fio de tantas lutas interiores esquecidas
e por
causa disto
do
esquecimento
meu
corpo se fixa na frente do telefone como se quisesse ver o toque
Imagino
então aqueles dedos
Escrevem? Abrem torneiras? Tateiam zíperes? Tamborilam? Apontam? Tocam
campainhas teclas itens? Deslizam?
Será que
aqueles dedos murmuram?
9
Antes eu me imaginava toda natureza
Mas
depois daquela conversa fui ficando muito próxima de tudo
Cada vez
mais solitária nesta aproximação
e no
entanto mais ávida
faminta preguiçosa
cheia de palavras
arrodeada
de letrinhas
Olhando
acontecimentos numa atitude de complacência
de
coragem
E nunca
e nunca e nunca satisfeita ou conformada
São 11 e
meia
Mesmo
dia?
E aquele
telefonema?
Eu me
exponho às expectativas
Nunca
sei se devo esperar ou me deixar surpreender
Porém como esquecer tal promessa?
Ouvir
aquela voz de um lugar qualquer
Apenas
aquele som
vindo de
um lugar de seu corpo
que
reconheço em fartas sensações às vezes quentes
às vezes
estranhas
em
certos lugares do meu corpo
preciso
disto
não sei
se é vício
coisas
paixões
desordenadas
Porque
me disse que telefonaria às 11 em ponto
pronto!
Eu
espero desde desde desde
Porque
falou que levaria todos os sentimentos às alturas da razão
Por
tantas vezes fingir que sabia as origens de todos os males
e os
motivos de todos os bens
Por tudo
quanto fez brilhar os olhos calar os
lábios fustigar os sonhos
Oh! Não
Finjo
que tenho esperanças
Para
onde depois eu vou?
Que
apreciação essa de tomá-la nos braços
personagem
dos meus diálogos interiores?
Ainda
bem ainda mal?
Tudo
gira sem um querer reconhecível e controlável
Elipse falso
oculto anormal
sem
encontrar um antípoda qualquer nalgum ponto esquecido inencontornável
Não é
fácil chegar a nenhum lugar
Urge Urra
Arre
A RAZÃO
FERE O CORAÇÃO?
Hem?????????
Nem
sempre nãos serão
Nãos
Fugir Fugir
Fugir
Cair no
abismo louco de cair
Cair Cair
Cair
Até onde
não houver mais questões
Essa
marca
Essa dor
que não passa
VACA!
Herança
de uma fera o que restou das
mordidas
de tudo
quanto deixaram as partidas os
abandonos
O dia
claro desalmado enquanto a alma esperançosa e lânguida
como só
as almas podem
esperar é próprio das almas
As
folhas brancas
as de
papel sim as de papel
Limpas prontas
Alvas
Com as
pernas abertas pra qualquer RABISCO que aparecer
Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
Beijo
qualquer imagem dos meus deuses íntimos
Íntimos
como amigos íntimos
Íntimos
Eis uma
xícara em seu pires no seu plano mira
Olhar
que pesca amenidades
E antes
eu tinha pensado que não queria amenidades
Mas não
resisti ao pires com a xícara no seu colo
A xícara
que jamais voaria
Não
porque fosse uma xícara
mas
porque só lhe deram uma asa
OH!
manhãs
Vejo os
objetos brotarem como flores
frutos
Ou como
qualquer coisa criada pela natureza
Nunca
visitei uma fábrica
A
cultura é um milagre
Meus
santos são os operários os
cientistas os arquitetos
Também
serão demônios
E a
mágoa? o tédio? a preguiça?
Desconhecimentos...
Confio
em tudo enquanto não digo nada
Desconto sofro e não sofro
Pago
para ouvir
Conheço
as lágrimas sem chorar
Voltarei
Não do
verbo voltar mas do verbo woltzar
Força
minha filha
Deixo
você e digo - Até breve Vou sem querer
IR IR IR
RIR RIR
RIR
No
avesso do prazer sem fim onde a pele fere
Onde os
sentidos pelo espírito carnal do
tempo pede
Mas só
ganha flores de acrílico
Quem
nasceu assim tão nítido?
Não há
loucura maior só as carícias
A paixão
cabe nas palmas das mãos
A paixão incarna
Perfume
abstrato internamente se alastra
OPUs OPUs
OPUs
Atrás da
orelha tem um segredo
Eu te
disse!
Dormias...
Mas
ouviste
10
Penso
NOVAMENTE em como tudo foi acontecendo aos poucos e tu?
Nem vias
meus olhos náufragos querida
Fico
louca quando me olhas assim
Sinto em
mim o quanto poderias me dar prazer
Perdi a
educação que me deram
perdi o
cartão de embarque
Perdi o
fio o medo e a coragem e minha vergonha se perdeu pelas faces
Corri
tantos riscos...
Venceram
as forças estranhas
Tantas
bobagens alicerçadas
Sombrios
os dias apaziguadoras sombras
Em
nenhum momento vinhas
Tanto
desejos jogados ali pelo chão pisados ou varridos
tão
velhos quanto os chinelos
O
pensamento finalmente dorme
e se
espreguiça entre estáticos pontos de esquecimentos
No fundo
opaco enganador
Teu
vulto escandido e resplandescente
como um
grito no escuro uma carícia não identificada
Só o
rastro
Acreditei
em tudo que me fez cair depois arrependida
Chute
nas ilusões
Quantas
coisas desconcertantes
inutilmente
trágicas
Louça
posta mesa sacra
E a rua
deserta
11
Ela está
tão próxima
eu
poderia fazê-la cair em mim com um mais ousado suspiro
com
qualquer movimento
a não
ser este que me expõe ao desejo inteiramente solitária e muda
Não há
como abraçá-la
a
impossibilidade do gesto é incomensuravelmente forte
mais
forte que as vontades
Apenas
por serem essas vontades tão fortes
Odeio
tudo que nos impede o beijo
Odeio
isto que excede o toque e me deixa assim inversamente tola
Odeio eu
Odeio
todos os meus pensamentos
Eu
queria ser filha do vazio
Eu
queria fazer calar esse pensamento de repente
Secreto
jogo de fixar morto o momento ao se perder em sorrisos ambíguos Esmagadores
gestos
Enganadores
reflexos
Inteiramente
árdua impossibilidade assim tão nua
Quisera
tanto essa quimera
Encontrá-la
ali entre os nossos seios
E a
paixão
Que nos
entregaria às inevitáveis risadas sem fôlego
Quisera
vê-la ao me ver
Quisera
vê-la a olhar-me
Princesa!
Estarei
sempre te imaginando assim
Ao
sorrir maliciosamente
Quem me
dera tê-la escrevê-la impetuosamente frágil
De quem
é a culpa?
Cala-me
num beijo!
A vida
acontece onde o sol é teu olhar queimando a minha vida
Desmancha
meus pensamentos com teu perfume
Quando
apareces tudo se resume à nossa volta
A
CAMPAINHA TOCA
Ou será
o telefone que toca?
Ou de
casa !
Ou de
dentro!
SOU
DE FORA
DEIXA-ME ENTRAR
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