quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

BREVE CURRÍCULO


Monólogo Cantante


Foto de Paulo Baptista
Teatro do Museu do Teatro
Lisboa

·   De Campina Grande, Paraíba, onde foi professora – anos 80 - do   Departamento de Educação da UFPB – Campus II. 
   Residente no Rio de Janeiro, Numa Ciro é cantora/poeta/Letrista e artista performática.
. Psicanalista (Analista Membro do Corpo Freudiano Escola de Psicanálise - seção Rio de Janeiro). Fez Mestrado e Doutorado em Ciência da Literatura, UFRJ. A tese Nas Quebradas da Voz – o lugar e a mãe na crônica poética do rap, com a orientação de Heloisa Buarque de Hollanda, resultou na criação do Laboratório Universidade das Quebradas, um programa de extensão de estudos literários, das artes e dos Direitos Humanos: especialmente estudos sobre a Mulher e o Antirracismo. Este laboratório é voltado para os artistas e empreendedores culturais das Favelas e Periferias. Em 2020 foi criado o Polo Universidade das Quebradas na Universidade do Rio Grande do Norte.
   Pesquisadora associada do PACC – Programa Avançado de Cultura Contemporânea - UFRJ, onde fez pós-doutorado em Cultura Contemporânea.

. Formou-se em Psicologia, anos 70,  na Faculdade de Filosofia do Recife - UFPE.
. Iniciou a Formação em Psicanálise no Centro de Estudos Freudianos de Recife, com orientação Freud/Lacan. Anos 70.  
.  Estreou  em Teatro com a peça 
15 Anos Depois de Bráulio Tavares - Direção de Hermano José. 

.  O Monólogo de Lourdes Ramalho Fiel Espelho Meu - Direção de Hermano José.

.  Escreveu e apresentou a peça  NOS ESCOMBROS ELETRÕNICOS 
- UM SHOW DE ANORMALIDADES - com Maria Selma Cavalcanti 
- Produção de Pedro Celso - Recife 

·  Artista devotada à performance, criou a modalidade de teatro/canto que denominou Monólogo Cantante. Trata-se de uma performance de canto à capela, isto é, sem acompanhamento instrumental, à qual são incorporados elementos do teatro, das artes plásticas, da dança, da poesia e da literatura.

·  Como letrista, Numa Ciro tem parcerias com César Lacerda, Claude Burg, Flaviola, Gabi Buarque, Hermeto Pascoal, João Donato, Lan  lanh, Laura Lopes, Luiz Gonzaga, Socorro Lira, Tânia Christal, Tibor Fittel, Zé Miguel Wisnik.

·   Escreveu o Banquete de Platão em Martelo Agalopado, uma das modalidades da Cantoria Nordestina. Dirigiu a leitura dramática deste canto, apresentada no dia 21 de outubro, de 2011, na ABL, durante o XVIII Congresso Nacional de Estudos Clássicos.

·    Escreveu o monólogo Totemica, encenado pelo ator Sandro Karnas com direção de André Frazzi, no Rio de Janeiro e em São Paulo,

·    Escreveu o texto PERFORMANCE POÉTICA PARA OUVIDOS MAMULENGO: O dia que eu vi quando Lampião levou o cego Vivaldo pra ver o mar ou Eu não vejo muito bem. Apresentado através da Leitura Dramática.

· Tem uma parceria com o artista plástico Hildebrando de Castro, como modelo do artista e em performances e cenografias.

· Obteve o título de investigadora visitante do Instituto de Ciências Sociais, da Universidade de Lisboa, com o Monólogo Cantante A PELEJA DA VOZ COM A LÍNGUA, em três versões: A Viagem, O Amor e A Saudade, a partir de uma residência artística em Lisboa, durante o ano de 2012.

    
· CABARÉ CONCRETO. Espetáculo inspirado no movimento Dada. Foi criado para comemorar o centenário da inauguração do Cabaré Voltaire, em Zurique, Suíça, onde se originou este Movimento de Arte, em 2016. Com Roteiro e direção de Numa Ciro; as vozes de Numa Ciro e Rodrigo Faria. Ao Piano, Cadu Pereira. Fagote: Cosme Silveira. Projeções de Imagens e bases de gravações originais: Rodrigo Faria. 
 

         ·  Artigos publicados em vários livros e revistas de psicanálise.  

   · Poemas publicados em Coletâneas: Pelas Periferias do Brasil, vol.3. Se tens um dom, seja! vol.2. Lendário Livro.

 

· Lançamento do LENDÁRIO LIVRO. 2018. Uma coletânea com poemas de Aderaldo Luciano, Bráulio Tavares, Nonato Gurgel, Numa Ciro, Otto Ferreira e Toinho Castro. 

Principais Monólogos Cantantes


§  Sims. O primeiro espetáculo da série Monólogo Cantante, montado especialmente Para teatro. Dirigido por Flávio de Lira e apresentado na Casa de Cultura Laura Alvin, na Casa da Gávea, RJ; e no Crowne Plaza em São Paulo. 1994.




§  Linha do Absurdo. Dirigido por Washington Luiz Gonzales, apresentado em São Paulo e Salvador, BA, no I Festival Julho em Salvador. 1995.


§  Tão Pensando o Quê? Direção de Cláudio Olivotto, no projeto Casa Grande Vive, no Teatro Casa Grande, Rio de Janeiro. 1997.

§  Andor de Coisas Raras. Direção de Cláudio Olivotto, no Teatro Glória de janeiro a fevereiro; no Café de La Dance, de setembro a novembro; no Teatro Municipal de Campina Grande, Pb., em novembro, dentro das comemorações de aniversário deste teatro.

§  Lâmina Voz. Bar e galeria de arte Lounge, Rua Sousa Lima, 37, Copacabana. Produção de Sandro Karnas. Numa aproveitou seu vasto repertório de músicas, textos e poemas, para abrir em cada quarta-feira um leque diferente de composições. Maio a novembro de 2002.


§  Numa Voz. Direção de Flávio De Lira, cenário e figurino de Hildebrando de Castro. Teatro 2 do SESC – Tijuca, Rio de Janeiro. 2002.

§  Outros Sins – uma pausa no mundo que tem pressa. Direção de Flávio de Lira, teatro Villa Lobos, Rio de Janeiro. 2002.

§  Mundo Raro. Direção de Flávio de Lira, cenário e figurino de Hildebrando de Castro, Sala Multiuso, CESC Copacabana. Trabalho apresentado no evento Palavra Performática, dentro do projeto Ação e Reflexão. Este programa foi em co-autoria com Jorge Mautner: Jorge Mautner: Bate papo com Numa Ciro. 2003.

§  Mundo Raro. Reapresentação no Festival Abençoados e Malditos, na FUNARTE, São Paulo, dia 13 de novembro, 2004, às 21 horas.  E em João Pessoa, PB, no FENARTE, no dia 16 de novembro, 2004, no Teatro Santa Rosa.

§  Errância. Participação no projeto Errática – Poema ao Vivo 2. Direção de Eucanaã Ferraz e Projeções de André Vallias. Na mesma noite, apresentação de Zé Miguel Wisnik. No CCBB, São Paulo, 22 de outubro, 2008.

§  Numa Noite na Casa do Saber. Roteiro e Direção: Ana Luiza Martins Costa e Numa Ciro. Figurino: Hildebrando de Castro. Apresentação seguida de discussão sobre o trabalho de Numa Ciro por Santuza Cambraia Naves e Ana Luiza Martins Costa. Casa do Saber, Rio de Janeiro, 30 de Julho de 2009.

§  Numa Noite Quatro Luas. Roteiro e direção: Ana Luiza Martins Costa e Numa Ciro. Cenário e Figurino: Hildebrando de Castro. Casa da Gávea. Todas as quintas-feiras do mês de Agosto. Rio de Janeiro, 2009.


Lisboa - Portugal


- UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA
Dia 12 de Julho, 2012.
Monólogo Cantante para Gabo. Com Roteiro e Encenação de Numa Ciro, apresentado no Colóquio Internacional sobre Gabriel García Márquez, em homenagem ao 85.º aniversário de seu nascimento,  45.º aniversário da publicação de CIEN AÑOS DE SOLEDAD e ao 30.º aniversário da atribuição do Prêmio Nobel da Literatura ao autor.

- A PELEJA DA VOZ COM A LÍNGUA - A VIAGEM. Roteiro e encenação de Numa Ciro. Apoio cênico de Cláudio Hochman e Vitor Ferreira.
    INSTITUTO DE CIÊNCIA SOCIAS DA UNIVERSIDADE DE Lisboa  (ICS - UL). Abriu as comemorações dos 50 anos do Instituto. 18 de outubro, 2012.










    "Numa soltava a sua alma de fadista. Estava lá, fui um privilegiado e continuo a ser por ter esta senhora na minha vida. Lisboa-Rio num imenso abraço transatlântico de parabéns! Saudades, minha querida Numa, do seu jeito brincante!" Victor Ferreira - Professor Doutor do ICS Universidade de Lisboa .


    - No Centro Cultural Malaposta – Lisboa, 17 de novembro, 2012.

    - No Museu Nacional do Teatro de Lisboa – Lisboa, 24 de novembro, 2012.





    - No Museu Nacional do Teatro de Lisboa – Lisboa, 05 de janeiro, 2013.



    Foto de Paulo Baptista
    Museu do Teatro
    Lisboa
    2012


    - No Teatro Meridional. Dia 24 de maio, 2013.


    Foto 
    Hildebrando de Castro

    - A PELEJA DA VOZ COM A LÍNGUA – O AMOR




    Roteiro e encenação Numa Ciro. Com o apoio cênico de Marcelo Melo, de Nós do Morro.
    - No Centro Cultural MALAPOSTA, dentro do Festival de Culturas Lusófonas. Lisboa, 17 de maio, 2013.



    - No Teatro Meridional. Lisboa, 25 de maio, 2013.

    - FÁBRICA BRAÇO DE PRATA no Festival Latino, 
    Lisboa, 29 de junho, 2013. 
     Língua e Teclas. Show com com o pianista carioca 
    Pedro Carneiro. 

    - TEATRO DA TRINDADE.  12 de Setembro, 2015.

     A Peleja da voz com a Língua -  A  SAUDADE





    no És Cena - 2ª Mostra Latino-Americana de Teatro.  


    Brasil

     A PELEJA DA VOZ COM A LÍNGUA – O AMOR





    .  A PELEJA DA VOZ COM A LÍNGUA - A VIAGEM.



    Foram apresentados no Rio de Janeiro em dois momentos:

    - Teatro Maria Clara Machado – 20 e 27 de junho em  2013.




    - Teatro Candido Mendes –  de 22 de outubro a 18 de Dezembro.
    Às terças-feiras, A VIAGEM e às quartas-feiras, O AMOR

    . A Peleja da voz com a Língua -  A SAUDADE no Itaú Cultural São Paulo – 24 de setembro de 2014.




    http://numaciro.blogspot.com.br/2015_09_01_archive.html

    DISCO NUMA Ciro

    Em 2020 lançou o seu primeiro disco: NUMA, com produção da percussionista Lan Lanh. São 13 canções, das quais 12 têm letras suas.

    I - DESPROPORÇÃO - Música de César Lacerda  e Letra  de  Numa Ciro

    II - PSICODÉLICA - Música de Lan Lanh  e Letra de Numa Ciro

    III - DO ESPERAR - Música de João Donato e Letra de Numa Ciro

    IV - VIGÉSIMA HORA - Música de Tânia Christal e Letra de Numa Ciro

    V - A ARTE É MULHER - Música de Lan Lanh e Letra de Numa Ciro

    VI - XOTE À PRIMEIRA VISTA - Música de Tibor Fittel e Letra de Numa Ciro

    VII - A FEIRA GRANDE DE CAMPINA GRANDE - Música de Hermeto Pascoal e Letra de Numa Ciro

    VIII - RUA DA SAUDADE - Música de José Miguel Wisnik e Letra de Numa Ciro

    IX - DADA ISSO – Música de Jean Claude Burg e Letra de Numa Ciro

    X - OS QUATRO ELEMENTOS À BEIRA DO MAR - Música de Flaviola e Letra de Numa Ciro

    XI - FOI NUMA SERENATA - Música de Luiz Gonzaga e Letra de Numa Ciro

    XII - MEU NOME É NUMA CIRO - Música de Socorro Lira e Letra de Numa Ciro

    XIII - HIPÓTESE DO HIPOPÓTAMO TARTAMUDO - UMA BALADA COMPORTAMENTAL - Música e Letra de Bráulio Tavares.

     




    domingo, 1 de novembro de 2015

    PARCERIAS

    ZÉ MIGUEL WISNIK





    Rua da Saudade



    Letra de Numa Ciro
    Música de   Zé Miguel Wisnik 
                 




    Recife, PE



    Lisboa
    Rua onde morou o poeta Ary dos Santos
    no número 23




    Saudade é o nome da rua
    Onde eu te vejo passar
    Enganada pelo fado...
    Um dia ali fui morar.



    Venero deusas vadias.
    Sem ti, enlouquecerão.
    Saudade mata! meus dias,
    quero viver de paixão.
    Saudade fez moradia
    ao rés e aos pés do meu chão.



    Saudade é o nome da rua
    Onde eu te vejo passar
    Enganada pelo fado
    Um dia ali fui morar



    Eu trago deuses em guerra.
    Sem ti, não quero sentir.

    Saudade mata! quem dera
    saber que estás quase a vir.
    Saudade fez da quimera
    uma razão de existir.


    Saudade é o nome da rua
    onde eu te vejo passar.
    Enganada pelo fado,
    um dia ali fui morar...


    Falado:


    Se o fado matasse a saudade
    da rua onde eu nasci
    Correria sem demora aos fados
    onde eu te quis




    Zé Miguel Wisnik






    JOÃO DONATO







    Um Baile

    Música: João Donato
    Letra:   Numa Ciro 


    Esperando eu vou
    Esperar quem vem
    Quem me disse “Eu vou
    Te encontrar meu bem”.

    GENE KELLY
    Cantando na chuva


    No esperar tem som
    A pausa é musical
    Mudo o compasso improviso
    Jazz no carnaval

    O Baile está divertido
    Já ensaio uns passinhos
    Estou Muito à Vontade
    A esperar meu benzinho




    Esperando danço
    É bom imaginar
    Ter você no balanço
    E poder te abraçar



    Um bolero não dá
    Pra dançar sem você
    Tango então nem pensar
    Só se for pas-de-deux



    Esperando o meu par
    Pra dançar Pas-de-deux
    Já dancei mui solito
    Rock and roll Iê Iê Iê

    Pra dançar à vontade
    Bem de bem de pertinho
    Pra pedir com os olhos
    Nem que seja um beijinho

    Tango Rumba y Mambo
    Samba Reggae Baião
    El Son Salsa Calipso
    Chá Chá Chá no salão





    Esperando eu vou
    Aonde você vai
    Na cadência eu brinco
    Nesse vai não vai

     Esperando ando
    Sustenido eu vou
    Improviso um bemol
    Atrás do meu amor

    Vem ao baile me ver
    Eu te espero porque
    Eu ensino bailar
    tu ensinas viver

    Pas-de-deux, deux, deux
    Pas-pas-pas-deux-deux-deux

    Quero te ver
    Quero dançar

    Vem vem vem
    vem vem vem

    Pas-de-deux-deux-deux-deux
    Deux-deux-deux-pas-pas-pas




    Tango
    Mariano Otero
    Pintor argentino contemporâneo


    GABI BUARQUE





    NUMAS QUEBRADAS


    Letra de Numa Ciro
    Música de Gabi Buarque





    A Prova

    Se um homem atravessasse o paraíso
    em um sonho
    e lhe dessem uma flor como prova que havia estado ali,
    e se ao despertar encontrasse essa flor em sua mão...
    então o quê ?

    S. T. Coleridge



     

    Numas Quebradas encontrei você
    Era sol
    Era mar
    Maculelê

    Numas Quebradas você me viu nu
    Era só
    Era rei
    Maracatu

    Que maravilha esta vida amorosa
    Brincante encantada nas dobras do ser
    Quem faz da vida essa coisa engraçada
    Sambando nos cacos sabe o que é viver

    Lá nas Quebradas o funk ensinou
    Vai no passo
    Cima abaixo
    Brincar de amor

    Lá nas Quebradas o Rap mandou
    Era a Cor
    Era o amor
    Rimando a Dor

    Foi nas Quebradas que o sonho acabou
    Lá nas Quebradas Zumbi acordou
    Contou o sonho que teve acordado
    E ninguém foi o mesmo
    Depois que escutou

    Lá nas Quebradas você me despiu
    De cima a baixo o meu corpo era um rio
    Não tinha mar que tivesse o tamanho
    Do amor que o seu corpo o meu corpo invadiu

    Numas quebradas você se mandou
    Era sonho!
    Onde eu vou?
    Com essa flor...

    Lá nas Quebradas eu penso em você

    Vem me ver 
    Quem sonhou?
    Pra que sofrer?

    Vem me ter
    Quem és tu
    Pra me perder?

    Vem me ouvir
    Quem sou eu


    Pra te esquecer?



    HERMETO PASCOAL


    Foto de Cláudia Ferreira

    Hermeto Pascoal
    com o Berrante a me acompanhar
    enquanto eu cantava a nossa parceria
     no
     
    Teatro Rival

    Inesquecível

    Foto de Cláudia Ferreira
    Quadro de Irene Medeiros
      Pintora campinense

                                                                       
    Novena

    É a música instrumental a partir da qual escrevi uma versão para voz e nomeei 


    A FEIRA GRANDE DE CAMPINA GRANDE



    Hermeto Pascoal / Numa Ciro


    Quero lhe mostrar nessa cantiga:
    Foi na feira de Campina onde o mundo se criou.
    Ouça com atenção! 
    Na minha vida, não vi coisa mais divina
    Quando um cego anunciou:

    Quem se aventurar nesse mercado
    Deixe aqui o seu trocado
    Pelo nome de Jesus.
    Eu não tive a vossa alegria
    De ganhar a luz do dia
    A cegueira é minha luz.

    Quase num milagre a vista alcança
    Os detalhes de uma trança de cebola ou alfenim.
    Acocorando escolhe coisinhas de barro
    Só pensando na virtude desta mão que fez assim.
    No labirinto do roteiro encomendado
    Inverte a ordem do traçado quem começa pelo fim.

    Corro na barraca de Zumira,
    Vou buscar a lamparina,
    Severina encomendou.
    Olho para os lados, vejo briga,
    Não é nada, é a pechincha,
    Nada besta o comprador.



     Seu Aluísio
     Salve!!!
    Eu e Hildebrando na Barraca de Seu Aluísio
    passeando na feira de Campina Grande
    Quero visitar seu Aluísio,
    e comprar queijo de manteiga
    Apelidado de Romeu,
    Quando ele se junta 
    Com o doce de goiaba,
    Julieta,
    Casa quem disso comeu

    Para comprar bode novo, tem lei
    Pai-de-chiqueiro, cuidado! 
    O cheiro é desagradável demais, porém
    Buxada é prato de rei.
    Pois é! 

    Dê outra volta pra gula vestir
    Carne-de-sol posta em mantas
    E as linguiças, gravatas, são fashion, say:
    Luiz cantou isso outra vez.

    Calungas de pano,
    Panelas de barro,
    Jarrinhos de louça
    Vestidos engomados
    Pro recém-nascido: toquinha e casaco
    Lá na tenda do cigano há quem leia o passado
    Futuro é do tempo,
    Querer é de agora,
    Quem vem nessa feira vadia pela hora.
    Quem pega em rodilha não teme o balaio.
    Fumo de rolo e cachaça espanta o cansaço.
    Quanto cobra pelo frete?
    Eu lhe pago em dobrado
    E dou mil pro assovio

    Jabuticaba, cajá, mimo-do-céu; 
    Abacaxi, macaíba,
    Quebra-queixo, pitomba, castanha e mel;
    Queijo-de coalho e beiju.

    Côco-catolé, caju, sapoti;
    Fuba de milho, sequilho, soda,
    Mandioca, inhame, maxixe, umbu;
    Manteiga-da-terra e caqui.

    Não deixe a feira sumir 
    Não deixe a feira acabar
    Campina Grande é ali
    Grande é a feira de lá

    Irene num quadro a feira imortalizou
    Irene não morre
    É imortal quem pintou

    Na Feira Grande de Campina Grande canta
    Asa Branca, Miudinho, Bem-te-vi meu Sabiá.
    Até o Galo de Campina se casou com a Noivinha Coroada
    E fizeram ninho lá.


    Na Feira Grande de Campina Grande canta
    Velho moço e criança, qualquer homem ou mulher.
    Até um surdo se esqueceu que era mudo
    E de repente cantou tudo.
    Só não canta quem não quer

    Pra quem quiser tocar na feira:
    Na feira encontra a condição.
    Tem fole e sopro cordas e teclas;
    O que não falta é percussão.


    Para os devotos rezarem Novena:
    Da feira sai a procissão.
    A catedral é bem pertinho.
    A Padroeira é Conceição.






    TIBOR FITTEL





    XOTE À PRIMEIRA VISTA

    Letra de Numa Ciro
    Música deTibor Fittel



    Samico

    Quem me chamou de meu amor
    Não disse nada 
    Só olhou 
    Eu entendi
    Correspondi imediatamente
    Aquele olhar de sol nascente irradiou e eu ouvi

    Man Ray


    Ouvi chamar:
    Vem meu amor!
    Não disse nada e começamos a dançar
    Rodopiamos infinitas vezes
    A sanfona não conteve o toque de acompanhar





    O Xote vai dizer 
    O que eu não disse com palavras 
    Nem você
    No Xote a gente conversa à vontade
    Faz amor 
    Mata a saudade da saudade que vai ter



    Ulysses Sanchez

    O Xote vai dizer 
    O que eu não disse com palavras 
    Nem você
    No Xote a gente conversa à vontade
    Faz amor 
    Mata a saudade da saudade que vai ter